Prof. Dr. Nuno Grande, presidente da Secção Portuguesa da Associação Internacional dos Médicos pela Prevenção da Guerra Nuclear (apresentação a cargo de Prof. Dr. Romero Gândara)
A Associação Internacional dos Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear (AIMPGN) actualizou recentemente os seus relatórios de acompanhamento relativos à invasão do Iraque cujas conclusões principais passamos a resumir.
As estimativas actuais indicam que bem mais de 150 000 civis iraquianos sofreram morte violenta como resultado da invasão e ocupação do Iraque desde 2003. Os ataques aéreos pelas forças da coligação ocupante têm sido responsáveis pela maioria destas mortes. Desde a invasão, o risco de morte violenta no Iraque cresceu 60 vezes e o risco de morte por outras causas cresceu 3 vezes. A guerra exacerbou os problemas de saúde da população que já existiam como resultado de guerras anteriores, tirania política e sanções internacionais.
A AIMPGN apresentou as seguintes recomendações, a serem seguidas com carácter de urgência, as quais foram enviadas às forças invasoras e ao governo do Iraque:
- As forças invasoras da coligação têm o dever de respeitar a Convenção de Genebra, devendo, nomeadamente, abolir de imediato os ataques indiscriminados à população civil.
- Deve ser dada oportunidade a uma comissão independente para investigar as mortes decorrentes de acções militares, assim como de fazer um levantamento da actual situação do sistema de saúde do país.
- Tanto a coligação invasora como o governo do Iraque devem respeitar a distinção entre acções humanitárias e acções de ajuda realizadas pelos militares.
- As forças invasoras da coligação têm o dever de investigar todas as suas acções que resultem em morte ou dano físico das populações e tornar públicos os relatórios que resultem dessas investigações.
A Secção Portuguesa da AIMPGN vê com a maior apreensão o recente agravamento da guerra civil que se instalou dentro do Iraque como resultado da presença desde há 2 anos das forças de ocupação deste país soberano.