OS TRABALHADORES E A LUTA CONTRA A OCUPAÇÃO DO IRAQUE
Joaquim Piló, presidente do Sindicato Livre dos Pescadores e Profissões Afins
- Seattle e as manifestações dos Fóruns europeus (Génova, Sevilha...) anunciaram a força das grandes movimentações, contra a guerra, de Fevereiro de 2003 e Março de 2004.
- Os milhões de pessoas que se manifestam, fazem-no por razões diversas: posição anti-imperialista, posição contra a agressão ao Iraque, contra a guerra injusta, pacifismo, mostrar hostilidade ao governo do respectivo país que apoiou a guerra, etc. Uma coisa é certa: na sua esmagadora maioria são trabalhadores.
- A espontaneidade, os métodos em rede, SMS e a net não substituíram, embora tenham reforçado em muito, naturalmente, o empenhamento e a capacidade de mobilização de sindicatos, partidos políticos e ONG.
- A agressão imperialista contra o Iraque, faz parte da ofensiva imperialista comandada pelos EUA assessorada pelas potências imperialistas menores e pelos lacaios sem expressão, como Portugal.
- Todavia, a ofensiva ideológica e política, e as consequências económicas - em especial os preços do petróleo - decorrentes da situação no Iraque, implicam sérios prejuízos para os trabalhadores em geral e para os portugueses em particular, assim como para os trabalhadores imigrantes.
- As medidas repressivas e ameaças contra as liberdades - a luta contra o terrorismo - que já estão em prática nos EUA e que, no Reino Unido, a Câmara dos Lordes impediu numa posição de grande significado, mas que Toni Blair não se esquecerá de tornear, são indicadores de uma ofensiva geral contra a cidadania que se reflectirá seriamente nos direitos dos trabalhadores, que são os principais alvos.
- Em Portugal, as consequências desse ambiente global, irão fazer-se sentir sobretudo em relação aos imigrantes: aumento da repressão selectiva, da violência policial, quer no controlo, quer na vigilância, quer nas dificuldades colocadas à legalização.
- A paranóia do medo ao terrorismo, cultivada por todos os meios, instala uma atmosfera propiciadora da xenofobia e do racismo, cujas consequências recaem com violência policial mas também de ordem social sobre os trabalhadores estrangeiros em especial os de origem asiática e africana.
- A CGTP tem participado activamente na mobilização dos trabalhadores para as realizações unitárias contra a guerra e a agressão e ocupação do Iraque.
- Mas a integração da luta dos trabalhadores na luta contra o imperialismo sofreu um claro abaixamento decorrente de vários factores mas em particular da vitória do neoliberalismo global e das consequências ideológicas e políticas da queda do muro.
- O abaixamento da intervenção cívica contra o brutal crime que está a ser praticado pela aliança EUA/Reino Unido contra o povo iraquiano, revela como o imperialismo tem conseguido neutralizar ideologicamente o enorme potencial que já se revelou em manifestações nunca vistas.
- O tabu criado em torno da chamada luta contra o terrorismo, tem sido um dos principais factores de alienação dos trabalhadores em relação à responsabilidade que lhes assiste de intervenção contra a guerra e o terrorismo de estado sem deixarem de se defenderem do terrorismo fundamentalista.
- As organizações dos trabalhadores e em especial os sindicatos têm deixado decair a luta e as reivindicações para os temas imediatamente sentidos sem grandes preocupações quanto ao carácter eminentemente político e ideológico que as lutas devem assumir nos dias de hoje, em que a globalização não é apenas uma questão geográfica, económica ou financeira, mas também um combate global, isto é em todos os campos e a todos os níveis, entre do imperialismo e, particularmente, os EUA, contra os trabalhadores, a democracia, a liberdade e a paz.
- A relação entre os trabalhadores nacionais e os imigrantes potencia a compreensão mútua e deve servir para ajudar à luta política em apoio dos trabalhadores iraquianos vítimas, desde a Guerra do Golfo - para além do despotismo criminoso de Sadam - de um dos "programas" mais criminosos de saque e violência de que há memória, sendo agora sujeitos a um ataque contra toda a ordem internacional e de violência inaudita.
- É inaceitável que se continue a chamar insurrectos, quando não terroristas, aos resistentes iraquianos à invasão que a própria ONU classificou de ilegal.
- As centrais sindicais têm particular responsabilidade em colocar o protesto e a luta política pela retirada dos invasores, a começar pela GNR, do Iraque, no movimento dos trabalhadores, em todas as suas manifestações e lutas concretas.
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