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Liberdade made in USA
13 de Agosto de 2007 Haij Ali, director da Organização para a Defesa dos Presos nas Cadeias da Ocupação, declarou: "No tempo de Saddam havia 13 prisões. Agora há 36 prisões do governo, mais 200 das milícias. Todas têm a aprovação do governo estadunidense". O Serviço para a Democracia e os Direitos Humanos, do Departamento de Estado dos EUA, calcula um número muito maior: 450 centros de detenção. Há ainda um número não revelado de centros de detenção secretos, criados pelos EUA em violação das leis internacionais. (madre.org, artigo original em inglês aqui )
| Apartheid
13 de Agosto de 2007 O governo israelita acaba de construir uma estrada que liga Belém à margem ocidental do Jordão, na qual há vias independentes para israelistas e palestinianos, separadas por um muro alto (para se confundir na paisagem, este muro é feito de pedras típicas da arquitectura de Jerusalém ocidental, no género no nosso Centro Cultural de Belém, em Lisboa). A via dos palestinianos tem poucas saídas, liga Belém a Ramallah mas não permite sair em Jerusalém. A via para judeus tem muito mais saídas porque o governo prevê a proliferação de colonatos nos territórios (palestinianos) adjacentes. A estrada foi concebida no tempo de Sharon como resposta às insistências dos EUA para Israel "viabilizar um Estado palestiniano"; concluída agora, no tempo de Olmert, este explica tratar-se de viabilizar a "continuidade transportacional" para os palestinianos... (Steven Erlanger, desertpeace.blogspot.com, artigo completo em inglês aqui )
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Justiça de propaganda, "ma non troppo"
13 de Agosto de 2007 O último dos cinco fuzileiros julgados no caso de rapto e assassinato de um iraquiano desarmado em Hamdania (ver o artigo Imprensa dos EUA publicita condenação de alguns fuzileiros..., publicado neste site em 9 de Agosto) foi libertado na sexta-feira passada, dia 10 de Agosto, por ordem do comandante-chefe dos Marines, general James Mattis, que revogou a sentença do tribunal que o condenara a oito anos de prisão. Depois de "uma conversa" com o preso,John Pennington, e os pais dele, o general concluiu que os 15 meses de cadeia já cumpridos pelo assassino chegavam perfeitamente. Enquanto a notícia do julgamento foi título de primeira página em vários grandes jornais, esta apenas aparece discretamente no Seattle Times. (uruknet, artigo completo em inglês aqui)
| Guerra (nuclear) das civilizações?
10 de Agosto de 2007 Em campanha eleitoral no Iowa, Tom Tancredo, representante republicano do Colorado e pré-candidato à presidência dos EUA, interrogado sobre um possível ataque nuclear da al-Qaeda contra os Estados Unidos, respondeu: "Se depender só de mim, damos conhecimento de que um ataque desse tipo contra o território nacional seria seguido por um ataque nuclear contra Meca e Medina". Esta declaração não teve qualquer reacção nos EUA até o Conselho para as Relações Americano-Islâmicas os ter denunciado e responsáveis paquistaneses terem manifestado a sua indignação. Só então foram firmemente condenados pelo Departamento de Estado. (Voltairenet.org, artigo completo em francês aqui ; IowaPolitics.com, artigo original em inglês aqui )
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Mais uma mentira do Pentágono
9 de Agosto de 2007 A qualidade da propaganda do Pentágono está-se a deteriorar. A mais recente fraude do Departamento da Defesa dos EUA surgiu nos jornais esta semana sob o título insultuoso "EUA matam cérebro dos atentados contra a Mesquita Dourada do Iraque". O artigo assemelha-se a centenas de outras histórias que temos visto, nos últimos anos, gabarem-se do assassinato de "alegados" chefes terroristas cujas malfeitorias estariam a impedir o florescimento da democracia no Iraque. Poupem-nos, por favor! Sobre a mentira desta semana, fiz uma profunda investigação acerca de ambos os atentados contra a Mesquita Dourada e posso dizer-vos que os militares nunca fizeram qualquer investigação acerca do que lá aconteceu. Os poucos testemunhos presenciais que apareceram em blogues e sites iraquianos sugerem que terá havido participação dos serviços secretos dos EUA e das tropas iraquianas do Ministério do Interior. As teorias que ligam a al-Qaeda ao incidente são pura especulação, sem base factual... Mike Whitney, Information Clearing House (artigo completo aqui )
| Bush inventa declarações iranianas
9 de Agosto de 2007 Na conferência de imprensa que deu, na quinta-feira 6 de Agosto na Casa Branca, com o seu homólogo afegão Hamid Karzai, o presidente Bush declarou: "É o Irão que tem de provar ser uma força de estabilização, oposta à força de desestabilização [os talibãs]. Afinal trata-se de um governo que proclamou a sua vontade de fabricar a arma nuclear". Poucas horas depois, Karzai, interrogado pela CNN negou que o Irão apoie os talibãs e, pelo contrário, apresentou Teerão como estando a ajudar o Afeganistão. O serviço de imprensa da Casa Branca foi incapaz de indicar quando é que o governo iraniano teria "proclamado a sua vontade de fabricar a arma nuclear"; uma declaração iraniana inventada por George Bush e retomada sem pestanejar por uma parte da imprensa dos EUA. voltairenet.org
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Pentágono pronto a intervir com exército turco
7 de Agosto de 2007 O Pentágono planificou uma operação conjunta das suas forças especiais com as homólogas turcas contra os separatistas do PKK em território iraquiano. Este ataque teria um objectivo bem mais vasto que o anunciado: reforçar o poder militar turco face aos democratas-muçulmanos do AKP e eliminar os dirigentes curdos iraquianos que recusam a pilhagem do seu petróleo pelos anglo-saxões. Ameaçados, os curdos iraquianos comprometeram-se ontem a pôr um termo às actividades do PKK na sua região e adoptaram uma lei regional sobre o petróleo. (Thierry Meyssan, Voltairenet) (Artigo completo em francês aqui )
| Mais um passo para a divisão do Iraque
1 de Agosto de 2007 Forças de segurança da região autónoma curda do norte do Iraque prenderam 50 jovens que agitavam a bandeira nacional iraquiana para festejar a vitória do país na Taça da Ásia de futebol. Eram quase todos das minorias cristã e yezidi. As forças de segurança das três províncias do norte (Dohuk, Erbil e Sulamaniya) receberam ordens para prender quem exibisse a bandeira nacional do Iraque, considerada um símbolo do nacionalismo árabe e da repressão dos curdos no tempo de Saddam. No ano passado, o presidente da região, Massoud Barzani, substituiu a bandeira nacional por uma bandeira regional. (ADNKronos )
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Decapitado pela democracia
25 de Junho de 2007 Barzan Ibrahim al-Hasan al-Tikriti, meio-irmão do presidente Saddam Hussein, e Awad Hamed al-Bandar, ex-presidente do Tribunal Revolucionário do Iraque, foram assassinados em 15 de Janeiro de 2007, depois de uma farsa de julgamento. Segundo o porta-voz do "governo" iraquiano, Barzan Ibrahim foi decapitado no acto do enforcamento. Al-Dabbagh disse aos jornalistas: "Foi um caso que acontece raramente, em que a cabeça do acusado Barzan Ibrahim al-Hasan se separou do corpo no acto da execução". (...) Os advogados de defesa do assassinado presidente Saddam Hussein denunciaram que Barzan Ibrahim al-Hasan al-Tikriti e Awad Hamed al-Bandar foram 'assassinados e torturados' e não executados como afirmam as autoridades. (...) Agora foi revelado um relatório de autópsia do Ministério da Saúde iraquiano que confirma que os advogados do presidente Saddam Hussein diziam a verdade: Barzan Ibrahim al-Tikriti foi longamente torturado e foi decapitado estando ainda em vida. A cabeça foi lentamente separada do corpo com instrumento cortante e o corpo apresentava equimoses de pontapés... (Uruknet.info )
| Um rio de cadáveres
25 de Junho de 2007 Ao longo de séculos, o rio Tigre foi oferecendo aos habitantes de Bagdade um petisco raro: o famoso samak mezguf iraquiano, um peixe grelhado. O rio era o principal fornecedor deste peixe, que era conservado vivo num tanque e, quando fosse preciso, era só apanhar um que os donos do restaurante grelhavam ao lume vivo. Mas uma fatwa recente, ou decreto religioso, de clérigos muçulmanos da cidade, proibe que se coma peixe do rio Tigre. A razão não é a poluição, pois o Tigre era, antes da invasão de 2003, um dos rios mais limpos do mundo. Os cadáveres humanos em decomposição atirados para o rio, segundo a fatwa, fazem com que comer os seus peixes se torne desumano, imoral e anti-religioso. Graças à invasão dos EUA, o rio Tigre tornou-se um cemitério de corpos flutuantes. As milícias assassinas e os esquadrões da morte - que os invasores trouxeram e alimentaram - consideram as profundidades do Tigre um local perfeito para esconderem o morticínio sectário de iraquianos inocentes, atirando para lá os corpos das suas vítimas. (Adnan Abuzaid, Azzaman ) (NOTA TMI-AP: No seu livro Crónicas Iraquianas: de que lado vem a barbárie? [Lisboa, Dinossauro, 2003], Manuel Raposo refere-se a este petisco delicioso, cuja técnica vem do tempo dos sumérios).
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A guerra que mata mais jornalistas
6 de Junho de 2007 Tal como no caso da contagem dos mortos civis, que tem oposto, nomeadamente, os números da respeitada revista médica britânica Lancet aos da ONG Iraq Body Count, acusada de apresentar números muito baixos que escondem a verdadeira dimensão da matança do povo iraquiano, também a contagem dos jornalistas mortos no conflito gera agora alguma controvérsia. A ONG Repórteres Sem Fronteiras, também acusada por muitos de parcialidade a favor dos EUA e do Ocidente em geral, apresenta o número de 177 jornalistas mortos – o que é contestado pelo BRussells Tribunal e pelo Iraq Tribunal Info, que apresentam um quadro detalhado de 276 profissionais mortos, dos quais 247 iraquianos e 29 estrangeiros. Estes números fazem da guerra do Iraque a mais mortífera de sempre para os jornalistas. (BRussells Tribunal )
| Amnistia Internacional acusa
25 de Maio de 2007 Globalização: “Nada poderá representar melhor a globalização das violações dos direitos humanos do que a «guerra ao terror» chefiada pelos EUA”. Campo de batalha: A admnistração de George W. Bush “trata o mundo como um grande campo de batalha”. A estratégia: As estratégias contra-terroristas “pouco fizeram para reduzir a ameaça de violência ou garantir justiça para as vítimas de ataques, mas fizeram muito para prejudicar os direitos humanos e o Estado de direito”. Espiral de abusos: “As políticas do medo estão a alimentar uma espiral negativa de abusos” de que são responsáveis “lideranças míopes e cobardes”. Líderes sem princípios: “Os direitos humanos estão hoje a ser desbaratados em nome da segurança” como já tinham sido no tempo da guerra-fria. “Como nos tempos da guerra-fria, a agenda é ditada pelo medo – instigado, encorajado e sustentado por líderes sem princípios”. (Irene Kahn, secretária geral da Amnistia Internacional, na apresentação do relatório de 2007)
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Abril mortífero
8 de Maio de 2007 “Os norte-americanos dizem que sem as tropas dos EUA a guerra civil vai agravar-se. Isso é um disparate. Até o Pentágono reconhece que os ataques da resistência aumentaram 68% e são dirigidos contra as forças dos EUA. Se os EUA retirarem, a violência obviamente diminuirá. É simples matemática. (…) Abril foi o mês mais mortífero deste ano com 100 norte-americanos e 12 britânicos mortos. Os militares dos EUA não registam os civis iraquianos mortos e o governo iraquiano recusa revelar a contabilidade dos civis mortos. Estimativas colocam o número de iraquianos mortos em Abril bem acima de mil. “ (Khair El-Din Haseeb, Director-Geral do Centro de Estudos para a Unidade Árabe, Beirute)
| Resistência reforça-se
8 de Maio de 2007 “Estamos a constituir uma resistência unificada muito ampla que representa a vontade do povo iraquiano. Estamos a crescer em grandes proporções de modo que podemos não estar de acordo em todos os detalhes, mas também não é preciso. Podemos pôr algumas coisas de lado neste momento para estabelecermos acordos nos pontos mais importantes – acabar com a ocupação do nosso país. O mais importante é uma frente de resistência unificada.” (Hana Ibrahim, co-fundadora e directora da NGO Vontade das Mulheres, Bagdad)
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Falta de garantias
8 de Maio de 2007 “A UNAMI continua preocupada com a aparente falta de garantias judiciais no tratamento dos suspeitos detidos no contexto do Plano de Segurança de Bagdad. (…) A ausência de referências claras às garantias judiciais foi o mais preocupante, tendo em conta o mau historial no tratamento de suspeitos e o tratamento aquando das detenções. Os novos regulamentos de emergência, tornados públicos em 13 de Fevereiro, autorizavam as detenções sem autorização e o interrogatório dos suspeitos sem estabelecer um período máximo de tempo em que podem ser mantidos em prisão preventiva” (Informe da Missão de Ajuda Humanitária das Nações Unidas para o Iraque, em Iraqsolidaridad)
| Armas proibidas
8 de Maio de 2007 “As forças da coligação usaram, repetidamente, armas particularmente danosas, tais como fósforo branco, napalm, munições de fragmentação e urânio empobrecido que têm efeitos desproporcionados, muito para além dos objectivos militares planificados. Essas armas consideram-se, maioritariamente, inaceitáveis e inumanas” (Informe do ‘Global Policy Forum’, em Iraqsolidaridad)
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Milhares de detenções abusivas
8 de Maio de 2007 "Dezenas de milhares de pessoas inocentes têm sido objecto de detenções abusivas, separadas das suas famílias e mantidas incomunicáveis durante grandes períodos de tempo. Esta política aterrorizou a população iraquiana, causou graves danos e violou gravemente a legislação internacional” (Informe do ‘Global Policy Forum’, em Iraqsolidaridad)
| Fiel servidor
9 de Abril de 2007 Eis, no aniversário da ocupação de Bagdade, alguns títulos colhidos "on-line": - "Mega-protesto em Najaf contra ocupação aliada" (TVI), - "Milhares contra EUA no Iraque" (Portugal Diário), - "Milhares protestam contra presença norte-americana" (TSF), - "Papa Bento XVI denuncia 'os massacres no Iraque'" (DN), - "Iraque: Protestos contra EUA" (Correio da Manhã), - "Iraquianos protestam contra os EUA no 4o aniversário da invasão" (Globo Online), - "Milhares de xiitas exigem em Najaf a retirada das tropas dos EUA do Iraque" (El Pais), - "Manifestação anti-americana no 4º aniversário da queda de Bagdade" (Le Monde), - "Iraque, a cólera xiita contra os EUA" (La Stampa), - "Iraquianos protestam contra ocupação do Iraque pelos EUA" (New York Times). - etc. Título do Público de Belmiro e José Manuel Fernandes: "Iraque assinala a queda do regime".
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Criança refém dos ocupantes
3 de Abril de 2007 Segundo a Qudspress, as tropas de ocupação prenderam uma criança de 9 anos quando ela lhes disse que o pai fazia parte da Resistência. Os soldados fizeram uma ronda pelas escolas de Al-Kharma, em Ramadi, e na escola primária perguntaram aos meninos: Que pensas da Resistência? Que pensas dos americanos? Gostas da Resistência? etc. O pequeno Ahmad Jumaili disse-lhes que o pai está na Resistência, que nunca está em casa e que nâo lhe traz prendas quando vem a casa. Os americanos prenderam o menino, e disseram aos professores: "Para libertar a criança, avisem a família de que o pai deve vir buscá-la". (Roads to Iraq)
| EUA/Irão e os soldados ingleses detidos
3 de Abril de 2007 O verdadeiro motivo da crise originada pela detenção de 15 militares britânicos nas águas do golfo Pérsico a 23 de Março foi uma tentativa fracassada do governo norte-americano de sequestrar um general e um diplomata iranianos em visita ao norte do Iraque, noticiou hoje o jornal The Independent. (Notícia completa aqui [Diário Digital ]) e aqui [The Independent ])
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