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    Resistência marca um ponto
    22 de Março de 2007
    A explosão de um tiro de morteiro interrompeu hoje uma conferência de imprensa do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que realiza uma visita surpresa a Bagdad. Ban Ki-moon, que saiu ileso, baixou-se ao ouvir a explosão mas manteve-se no mesmo sítio, mesmo quando pequenos destroços começaram a cair do tecto. A granada de morteiro caiu junto ao edifício que alberga o escritório do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, dentro da chamada Zona Verde - sector fortemente protegido de Bagdad onde se encontram as instituições iraquianas e a embaixada norte-americana -, quando este e Ban Ki-moon davam uma conferência de imprensa conjunta. A granada de morteiro caiu no exterior, a cerca de 50 metros do edifício, fazendo um buraco no chão. Nesse preciso momento, Maliki afirmava aos jornalistas que a situação no Iraque está muito nais segura... (Diário Digital / Lusa / AP / telejornais)
    Preocupados com as consequências
    20 de Março de 2007
    Quase 730.000 iraquianos fugiram das suas casas desde o início de 2006, denunciou hoje em Genebra Ron Redmond, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os refugiados. A maioria dos deslocados encontram-se retidos em regiões iraquianas em conflito. O ACNUR calcula que, em cada mês, mais 50.000 iraquianos são obrigados a deixar as suas residências. É o mais grave deslocamento de população no Médio Oriente desde 1948 (expulsão dos palestinianos na fundação do Estado de Israel). António Guterres é o actual Alto Comissário do ACNUR. (Fonte da notícia: Diário Digital)
    Soldados descartáveis e suicídios
    16 de Fevereiro de 2007
    O Departamento dos Assuntos dos Veteranos debate-se com o problema de uma vaga de soldados de regresso do Iraque que sofrem com as recordações de uma guerra onde é difícil distinguir civis inocentes de combatentes inimigos. Uma guerra em que a ameaça de ataques suicidas e de bombas na berma da estrada é um pesadelo na maior parte das missões de rotina. O número de ex-soldados estadunidenses com perturbações mentais subiu de 565 mil em 1995 para 924 mil em 2006. Mas o dinheiro gasto pelo Estado para os tratar desceu de 3.560 dólares por paciente para 2581 dólares. Por sua vez o número de suicídios de soldados bateu todos os recordes em 2005 (ainda não foram divulgados os de 2006). (McClatchy Newspapers, Hartford Courant e CommonDreams.org )
    Um marco
    19 de Janeiro de 2007
    “Um marco na marcha do Iraque para a democracia.” (George Bush, sobre o enforcamento de Saddam Hussein, 31.12.06)
    Por quem os sinos dobram
    19 de Janeiro de 2007
    “…não é por Saddam que os sinos dobram. Os sinos dobram pelo Ocidente bushiano.” (Boaventura Sousa Santos, Visão, 4.1.07)
    ONU a várias vozes
    19 de Janeiro de 2007
    “Ontem (3.1.07), a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Louise Arbour, intercedeu junto de Bagdad para que Al-Tikriti e Al-Bandar não fossem executados. Advogou uma moratória, invocou irregularidades nos julgamentos, mas o mais importante é que fez aquilo a que se furtou o novo secretário-geral da ONU. Lembrar que a organização, por princípio, é contra a pena de morte. Na quarta-feira (3.1.07), Ban Ki-moon não comentou o fim de Saddam, antes disse que cometeu ‘crimes horrendos e atrocidades inexplicáveis contra o povo iraquiano’. Ki-moon é da Coreia do Sul e a sua ascensão ao cargo foi muito apoiada pelos EUA, dois países onde a pena de morte não foi abolida. Já no sábado, dia de execução, o representante especial da ONU no Iraque, Ashraf Qazi, reafirmara a oposição das Nações Unidas à pena de morte.” (Cadi Fernandes, Diário de Notícias, 4.1.07)
    Profissionais
    19 de Janeiro de 2007
    “Os americanos já vieram dizer que, fossem eles a enforcar Saddam, tivessem eles o ‘controlo físico’ do antigo presidente e tudo teria sido ‘diferente’. O general William Caldwell, que deu a garantia, só não explicou como seria, mas depreende-se que não haveria insultos ou manifestações de júbilo, pois nos EUA tudo é feito, com cadência regular, de forma profissional e quase asséptica.” (Cadi Fernandes, Diário de Notícias, 4.1.07)
    Guerra perdida
    19 de Janeiro de 2007
    “Não sei que solução haveria para Saddam (…). Mas não tenho dúvidas de que esta foi a pior de todas, aquela que me faz sentir, a mim que apoiei esta invasão, que, agora sim, a guerra está perdida.” (Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 5.1.07)
    Negócio
    19 de Janeiro de 2007
    “Ainda Saddam não tinha sido enforcado, já um boneco articulado com o baraço ao pescoço era sucesso de vendas nos EUA. Emil Vicale, presidente da Herobuilders, empresa do Connecticut especializada em brinquedos, tinha já decidido que ‘Saddam era a pessoa do ano’ de 2006 e ordenou a produção dos bonecos referentes aos momentos finais do ditador. No site da empresa verifica-se que há vários de Saddam e também de um dos seus filhos, Uday.” (Manuel Ricardo Ferreira, Nova Iorque, Diário de Notícias, 5.1.07)
    Bárbaro
    19 de Janeiro de 2007
    “Saddam (…) já tinha feito o genocídio que o levou à morte quando os americanos ficaram amigos dele. Andaram com ele ao colo, apoiaram-no contra o Irão. E depois disto, por conveniência, recorda-se o genocídio e aí mata-se por isso. Mas esta não foi a razão invocada na intervenção no Iraque. Aí foi a posição dos valores, a ideia da defesa da democracia, dos direitos humanos e do respeito da pessoa. Ora, a condenação e a execução de Saddam correu ao contrário desses valores. Primeiro, o tribunal foi um tribunal-fantoche. Não se venha dizer que foi iraquiano, foi apoiado pelos americanos. Só funcionou porque os americanos estão a aguentar ao colo o tribunal, o primeiro-ministro e o presidente do Iraque. Foi um processo fantoche e foi uma condenação à pena de morte executada de uma maneira que é a negação da dignidade da pessoa. (…) Aquilo é bárbaro. Temos de perceber que perdemos a autoridade moral quando dizemos que estamos a defender determinados valores e depois toleramos, apoiamos, congratulamo-nos com coisas que correm ao contrário. Foi um erro político martirizar o homem, mas mais do que isso é uma negação dos valores. Mais vale não defender valores, dizer que somos pelos interesses e dizer que tinha de ser.” (Marcelo Rebelo de Sousa, RTP, 7.1.07)
    Guerra de mercenários
    30 de Novembro de 2006
    A ONG "War on Want" denunciou num relatório de 30 Outubro o aumento "exponencial" da utilização pelo governo britânico de mercenários no Iraque, ao serviço de sociedades militares privadas, e a prática de crimes desses mercenários sobre a população civil. A acusação é apoiada por vídeos disponibilizados aqui. “War on Want” afirma que as sociedades militares privadas ganharam em 2004 1,8 mil milhões de libras pelo envio de mercenários para o Iraque. "O governo não tomou medidas para punir os seus abusos dos direitos humanos, entre os quais o uso de armas de fogo contra civis”, declarou John Hilary, director da campanha da “War on Want”. Segundo números fornecidos pelo Congresso dos EUA, cerca de 48.000 empregados de sociedades militares privadas estão actualmente no Iraque, na sua maioria ao serviço das forças britânicas. Este número representa cerca de sete vezes o número de soldados britânicos presentes no país (7.000). (dailymotion.com)
    Bush e o exemplo do Vietname (mais uma gaffe?)
    17 de Novembro de 2006
    Em declarações aos jornalistas, o presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou hoje em Hanoi que o sucesso da intervenção no Iraque levará «algum tempo», referindo que a paciência foi uma das lições retiradas da guerra do Vietname. Bush afirmou que «uma das lições é que existe a tendência para querer um sucesso imediato no mundo, mas a tarefa no Iraque levará tempo». A política de Bush em relação ao Iraque foi o principal motivo que levou à derrota dos republicanos nas eleições legislativas de 7 de Novembro, e a Casa Branca ainda não estipulou uma data para o início da retirada daquele país. Diário Digital / Lusa (notícia completa aquiLigação externa)
    Cheiro a derrota
    13 de Novembro de 2006
    O Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais é um think tank à portuguesa conhecido pelas suas posições atlantistas pró-NATO. É sintomático que o seu director, Álvaro Vasconcelos, tenha afirmado este fim de semana, no programa Olhar o Mundo, da RTPN: "Não há neste momento qualquer boa solução para o Iraque. Não vejo que os democratas [que conquistaram a maioria nas duas câmaras do Congresso dos EUA] possam propor outra coisa ao Presidente Bush que não seja um calendário para a retirada. Para isso, os Estados Unidos terão de negociar com todas as forças iraquianas, incluindo as da resistência armada". ComRed TMI-AP
    História de um soldado
    31 de Outubro de 2006
    Nascido no México, naturalizado norte-americano, Agustin Aguayo, agora com 34 anos, mulher e duas filhas, alistou-se no Exército em 2002. Não por desejo de ir combater mas porque o recrutador soube convencê-lo de que teria condições muito favoráveis para tirar um curso de enfermagem e conseguir segurança económica para a família. Surpreendido pela invasão do Iraque, enviado para a base de Schweinfurt, na Alemanha, sentiu-se apanhado numa armadilha e começou a procurar sair da tropa como objector de consciência. Mas o processo é arrastado, e entretanto enviam-no para Tikrit, no Iraque. Aí, segundo o seu depoimento posterior, “fui testemunha da nossa forma de desumanizar o povo iraquiano e de exterminar inocentes. Que contra-senso! A minha convicção do absurdo e da nocividade de todas as guerras tornou-se ainda mais forte”. Em Agosto de 2004, chega a resposta ao seu pedido de objector: recusado. Após um ano na frente de combate, regressa à Alemanha. Confirmada a recusa a conceder-lhe a objecção de consciência, é castigado com mais um ano de serviço porque, quando no Iraque, se recusava a usar a arma.Uma disposição aprovada depois do 11 de Setembro permite que o exército prolongue unilateralmente o tempo de serviço de um soldado.
    Desesperado, Agustin deserta na Alemanha a 1 de Setembro 2006 quando é convocado para regressar ao Iraque. Ingenuamente apresenta-se no dia seguinte, vestido à civil, disposto a ser preso e julgado em tribunal marcial. Mas anunciam-lhe que partirá de imediato noutro avião para o Iraque. Consegue evadir-se, regressar ao México e daí à Califórnia. Em 26 de Setembro, à porta de uma igreja de Los Angeles, rodeado pela família, Agustin dá uma conferência de imprensa: “Assumo a minha posição de objector, prefiro a prisão à guerra”. Mas o Exército não está interessado num julgamento que dê ainda maior projecção ao caso. A 3 de Outubro levam-no preso para a base de Mannheim, na Alemanha. Aí se encontra, aguardando a decisão do seu comandante. (Le Monde, 31/10/06)
    Deserção
    31 de Outubro de 2006
    “Segundo o Pentágono, escreve a revista Air Force Times, já serão 40.000 os desertores desde o ano 2000”. O Exército, só à sua parte, calcula em 1,1 por cento a taxa e deserções. A GI Rights Hotline, serviço telefónico da Califórnia gerido por organizações pacifistas, afirma estar a receber 3000 apelos mensais de candidatos à deserção. (Le Monde, 31/10/06)
    A “compra” de recrutas
    31 de Outubro de 2006
    Depois dos fracos resultados do recrutamento para o exército dos EUA em 2005, devido à impopularidade da guerra no Iraque, este ano, o Pentágono anuncia resultados espectaculares: mais 80 mil homens para o exército (que conta 504 mil), mais 36.600 para a Marinha, mais 30.800 para a Aviação.
    Os meios usados para o conseguir: a idade limite para o recrutamento foi elevada por duas vezes: de 35 para 40 anos, e depois para 42 anos; baixou o nível dos testes de admissão; passaram a ser aceites recrutas com cadastro judicial; e são feitas menos exigências em termos de saúde. A medida mais estimulante foi porém o aumento do prémio de alistamento, que duplicou, passando no Exército para 40.000 dólares. O soldo foi aumentado de 3,1 por cento e há prémios especiais de todos os géneros: 12.000 dólares para os soldados com conhecimento de línguas estrangeiras, 5.000 dólares para estudantes de enfermagem, até 100.000 dólares para os que tenham conhecimentos especializados e ainda… mil dólares para os que consigam convencer um amigo a alistar-se!
    O número de recrutadores foi aumentado de 10 por cento (são agora 6.600) e estes intensificaram a sua actividade junto de escolas, bairros de imigrados, igrejas... Os serviços de propaganda pela Internet foram melhorados e cadeias especializadas por cabo tentam afastar os receios das famílias, aliciando-as com as possibilidades de comprarem uma casa graças ao prémio de recrutamento. Assim o alistamento de latinos tem subido espectacularmente. (Le Monde, 31/10/06)
    Número record de baixas dos EUA no Iraque
    20 de Outubro de 2006
    Na primeira quinzena de Outubro, os EUA perderam - por dia - uma média de quatro soldados em combate no Iraque. Já nos meses anteriores se registara um incremento dos ataques da Resistência contra os ocupantes, que se repercutiu no número de feridos em combate: 776 só em Setembro, o número mais alto desde o registado em Novembro de 2004, quando os estadunidenses recuperaram Faluja de assalto. (IraqSolidaridad, artigo completo aquiLigação externa)
    O Iraque e o Vietname
    20 de Outubro de 2006
    Um articulista do New York Times comparou o Iraque ao Vietname, associando o crescimento da resistência iraquiana à ofensiva do Tet, em 1968, que marcou uma viragem no curso da guerra e impulsionou a oposição da opinião pública norte-americana. Desafiado por um entrevistador da televisão ABC a comentar a afirmação, o presidente Bush disse que “ele pode ter razão”, reconhecendo que “o nível de violência está sem dúvida a aumentar” no Iraque. Como em casos anteriores, o porta-voz da Casa Branca veio logo a seguir “esclarecer” o que Bush “queria dizer”. Bush, afinal, não dissera mais do que tinha dito de outras vezes, isto é, que “os terroristas” procuram “influenciar a opinião pública”. Mas (acrescentou o porta-voz) “o que importa é que o presidente está determinado a que não se repita no Iraque” o que aconteceu no Vietname, assegurando (o porta-voz) que a guerra no Iraque “não se encontra num ponto de viragem”. Nota 1: naturalmente, Bush subscreve o que o porta-voz disse por ele; mas não foi nada disso o que Bush afirmou na entrevista. Na Casa Branca deve perpassar um calafrio sempre que o presidente é chamado a dar opiniões sem papel escrito. Nota 2: também Nixon, quando foi eleito em 1968, estava firmemente determinado (como os seus porta-vozes) a vencer a guerra no Vietname. (ComRed TMI-AP)
    Dificuldades
    14 de Outubro de 2006
    George W. Bush admitiu hoje (11 de Outubro) a existência de “dificuldades” no Iraque, mas congratulou-se com as iniciativas tomadas pelo Governo iraquiano para lutar contra a violência, garantindo apoio a tais medidas. Renovando o apoio dos EUA ao Governo de Bagdad, afirmou: «Estaremos ao seu lado, ajudando-o». Estas declarações surgem a menos de quatro semanas das eleições legislativas intercalares norte-americanas, nas quais a impopularidade da guerra no Iraque pode penalizar o partido Republicano; e foram divulgadas no mesmo dia em que um estudo da universidade norte-americana Johns Hopkins, publicado na revista médica The Lancet, mostrava que o número de mortos iraquianos em consequência da invasão atingiu a cifra de 655 mil, vinte vezes mais que os números referidos pelo governo de Bush.
    Salto qualitativo
    25 de Setembro de 2006
    As tropas de ocupação israelitas reconvertem-se: do roubo de comida para o roubo de milhões. O exército israelita invadiu várias cidades da Cisjordânia e investiu contra os cambistas e os bancos, confiscando cerca de um milhão e meio de dólares, esta quarta-feira de manhã. O dinheiro é confiscado após semanas de cerco das autoridades israelitas, que estão a tentar subjugar "pela fome" o povo palestiniano, em resposta às eleições democráticas de Janeiro passado. O exército invadiu, praticamente em simultâneo, Nablus, Jenine, Tulkarem e Ramallah [fonte: imemc.org] Mas isto dos roubos não é novo. Há cerca de um mês, e durante a invasão sionista do Líbano, o exército de ocupação disse aos seus soldados que podiam roubar comida e bebida nas lojas libanesas. Hoje, parece que as forças de ocupação sionistas deram o salto qualitativo: do roubo de alimentos para o roubo de dinheiro!... (artigos em inglês aquiLigação externa e aquiLigação externa)

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