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Os governantes, vê-se depois
7 de Setembro de 2006 O Ministério da Defesa britânico informa que 1541 soldados que estiveram em missão no Iraque a partir de 2003 sofrem perturbações psiquiátricas (Le Monde/AFP, 28 Agosto 2006)
| Abu Ghraib
3 de Setembro de 2006 O artista Fernando Botero, bem conhecido do público português, realizou, em Junho de 2005, uma exposição dos seus trabalhos em Roma, na qual incluiu 50 desenhos e pinturas sobre a tortura de prisioneiros em Abu Ghraib. “Fi-lo", declarou em entrevista, "devido à indignação que senti, tal como o mundo inteiro, por este crime cometido pelo país que se apresenta como um modelo de tolerância, justiça e civilização. Não tenciono vender estas obras. Vou expô-las em toda a parte para onde me convidem e, espero, também nos Estados Unidos. Não esqueçamos que a grande maioria dos norte-americanos condena a prática da tortura”. (galeria de fotos dos quadros aqui )
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Feliz... mente cortado na montagem
29 de Agosto de 2006 No dia 21 de Agosto último, numa conferência de imprensa na Casa Branca, o presidente dos EUA George W. Bush deixou escapar mais uma das suas calinadas habituais. Ao responder a uma pergunta sobre como se sentia quanto à situação no Iraque, GWB declarou: "Por vezes sinto-me frustrado. Raramente surpreendido. Às vezes sinto-me feliz", emendando logo a seguir para dizer que a guerra "não era um momento de alegria". Mas muitos telespectadores estadunidenses nunca conhecerão essa passagem em que GWB exprime a sua felicidade. Com efeito, a CBS, na sua edição da noite, e a NBC retiraram deliberadamente essa passagem da citação presidencial. O New York Times e o Los Angeles Times fizeram o mesmo. (artigo completo, em francês, aqui )
| Pronto para matar... crianças de dois anos
25 de Agosto de 2006 O Independent de 25 de Agosto noticia o suicídio de um jovem soldado britânico de 19 anos da região de Manchester. "Não posso ir para o Iraque. Não posso matar aquelas crianças", disse aos pais antes de morrer, após ingerir comprimidos analgésicos e cortar os pulsos. Da instrução dada ao seu regimento, específica para tropas com destino ao Iraque, fazia parte "habituarem-se à ideia" de terem de matar crianças. "Atirem primeiro e façam as perguntas depois. Têm de estar prontos para liquidar crianças de dois anos, pois podem também ser portadoras de bombas para vos atingir". É o sexto suicídio (conhecido) de militares britânicos desde a invasão do Iraque. Outros quatro mataram-se no próprio Iraque, um quinto no Afeganistão. (notícia completa aqui )
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A pátria da Liberdade? (2)
24 de Agosto de 2006 As autoridades de Nova Iorque prenderam Javed Iqbal, de 42 anos, por difundir na sua estação televisiva, a HDTV, programas via satélite do canal Al-Manar, do Hezbolá. Foi acusado de "conspirar para violar a Lei dos Poderes Económicos Internacionais de Emergência", e os locais da companhia em Brooklyn e a casa de Iqbal em Staten Island foram alvo de busca policial. (Reuters, 24/08/06, notícia completa, em inglês, aqui )
| A química e as aldrabices de Blair
18 de Agosto de 2006 O complot terrorista desmantelado em 10 de Agosto pelo governo de Blair não tem qualquer credibilidade. Com algum humor, o romancista Tom Greene imagina as dificuldades que teria de ultrapassar um jihadista para embarcar discretamente o seu material a bordo de um avião de linha e para se isolar durante três horas na casa de banho para fabricar o explosivo "TATP"... Para quem, à falta de chorar, se queira rir um pouco das mentiras ridículas do governo inglês (e da prestimosa colaboração que lhes é dada pelas televisões e jornais portugueses), vale a pena ler este artigo, ainda por cima publicado num conhecido site de recensões e debates técnicos... (colhido em voltairenet.org; versão original em inglês aqui , tradução adaptada em francês aqui )
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"Como outrora os nazis”
18 de Agosto de 2006 “Somos temidos e odiados pelo mundo inteiro, como eram outrora os nazis”, diz o escritor norte-americano Kurt Vonnegut, autor de Um homem sem pátria, agora editado em França. “A situação política é angustiosa. A ausência de debate é terrível para uma democracia. Democracia? Quem pode hoje dizer que um país que pôs em prática a Lei Patriótica (Patriot Act) ainda é de facto uma democracia? Já não me sinto representado por ninguém, o pluralismo regrediu, democratas e republicanos são quase idênticos. Quando nos manifestávamos contra a guerra do Vietname, Nixon estava atento, inquietava-se mesmo. Mas Bush está-se nas tintas para tudo o que se diz e se faz para protestar contra a guerra. Esta invenção da guerra planetária entre o Bem e o Mal, e de pôr na lista negra todo o mundo árabe, tudo isto é escandaloso”. “Graças a uma eleição vergonhosamente falsificada na Florida, surgimos hoje perante o resto do mundo como guerreiros ameaçadores, impiedosos, equipados com armas terrivelmente poderosas e que não admitem qualquer resistência. Somos temidos e odiados pelo mundo inteiro, como eram outrora os nazis”. (Le Monde, 9/6/2006)
| A pátria da Liberdade?
18 de Agosto de 2006 Acusações de “antipatriotismo” e mesmo de “alta traição” estão a ser dirigidas por meios da direita dos EUA ao New York Times, Wall Street Journal e Los Angeles Times, por divulgarem fugas de informação que comprometem a administração Bush. A 29 de Junho, a Câmara dos Representantes adoptou uma resolução condenando as “organizações da imprensa” que, com as suas informações, “põem em perigo a vida de cidadãos americanos”. (Le Monde, 1/7/2006)
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O jogo duplo dos EUA
17 de Agosto de 2006 Os EUA reconhecem à Índia, ao Canadá e à Austrália o direito que recusam ao Irão. Enquanto o Conselho de Segurança da ONU impõe ao Irão a cessação de qualquer enriquecimento de urânio, seja para fins militares ou civis, Washington continua com o seu jogo duplo na matéria. O presidente Bush foi recentemente à Índia para lhe vender a tecnologia nuclear estadunidense. Ao mesmo tempo, o The Australian de 17 de Agosto revela que o departamento da Energia dos EUA apoia o projecto de enriquecimento de urânio do Canadá e da Austrália. (artigo completo aqui )
| Direito de defender... o quê?
11 de Agosto de 2006 ... A minha conclusão é muito simples: os israelitas não têm o direito de defender o seu "Estado" discriminatório, mas têm o direito de defender a sua sobrevivência, na condição de agirem com justiça em relação a todos os habitantes, por igual, o que significaria o fim do seu "Estado judaico" e a sua substituição por um Estado democrático. Continua a ser da responsabilidade dos políticos fazerem tudo o que é preciso para que assim seja. E, entretanto, peço-lhes que parem de dizer que os israelitas têm o direito de fazer tudo para "defender o seu Estado", tal como ele é agora... Robert Thompson (www.uruknet.info?p=25625)
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Diplomacia preventiva?
2 de Agosto de 2006 Foi hoje tornada pública uma carta da embaixada britânica no Bahrain ao jornal Al Watan, onde se lê: «Todos desejamos que vocês parem de publicar as fotografias da destruição na primeira página, e esperamos que parem de confundir a posição nebulosa dos EUA com o não tentarem activamente fazer nada». (notícia em inglês aqui ) (carta em árabe aqui )
| Nenhum rocket foi lançado de Qana!
2 de Agosto de 2006 Socorristas da Cruz Vermelha e residentes de Qana, onde as bombas de Israel mataram pelo menos 60 civis, disseram à IPS que nenhum rocket foi lançado a partir da cidade antes do ataque aéreo israelita. Os militares israelitas afirmaram ter bombardeado o edifício, onde várias pessoas se tinham abrigado, mais de metade crianças, porque o exército fora alvejado com rockets a partir de Qana. Os militares israelitas disseram que o Hezbolá é que era responsável por essas mortes. «Daqui nunca foram lançados rockets do Hezbolá», disse à IPS Ali Abdel, de 32 anos. «Toda a gente da aldeia lhe pode confirmar isto, porque é a verdade». (Dahr Jamail, artigo completo em inglês aqui )
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JPP à rasca: preciosismos vocabulares
1 de Agosto de 2006 [Sobre] a utilização da palavra "massacre" nos noticiários da RTP1 e no Público de hoje (...). No Dicionário da Academia é claro que a palavra implica matar "indiscriminadamente" "com selvajaria e crueldade", tendo como significados "chacina", "matança", e o acto de massacrar significa "chacinar" "trucidar", "dizimar", "exterminar". Podem parecer cruéis estes preciosismos vocabulares, mas o uso da palavra "massacre" não é descritivo é propagandístico porque implica haver dolo por parte de Israel. Se um inquérito revelar que o ataque a civis foi deliberado, então é legítimo usar a palavra "massacre", até lá é uma opinião disfarçada de notícia. Qualquer manual de deontologia jornalística ensina o que se deve fazer em casos destes, seja qual for a opinião do jornalista, a indignação que possa ter perante a violência da guerra e a sua inerente injustiça face a inocentes. (José Pacheco Pereira, no seu blogue abrupto.blogspot.com)
| Como no Iraque
31 de Julho de 2006 Em Gaza, médicos deram conta que ferimentos nas vítimas dos ataques israelitas fazem supor que Israel poderá estar a usar armas interditas. "Temos a certeza de que as forças de ocupação usam bombas proibidas pelo direito internacional", acusou o porta-voz do Ministério palestiniano da Saúde, Khaled Radi, num depoimento à AFP. "Os fragmentos destas bombas explodem no interior dos corpos e queimam horrivelmente, provocando a morte e amputações de membros", descreveu. Acusações semelhantes foram feitas no fim-de-semana por responsáveis libaneses, que terão visto vítimas com queimaduras nos ossos mas não na pele, o que poderia indicar o uso de fósforo branco, substância proibida. (Público, 28/07/2006)
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"Não há inocentes"
31 de Julho de 2006 O Conselho Rabínico Yesha anunciou, na sequência do ataque das forças armadas israelitas contra Kfar Qanna, que "segundo a lei judaica, enquanto decorre uma batalha ou uma guerra, não há lugar para designações como 'inocentes' entre os inimigos". "Todas essas discussões baseadas na moralidade cristã estão a enfrequecer o moral do exército e da nação, e pagam-se com o sangue dos nossos soldados e dos nossos civis", afirma a declaração. (Efrat Weiss, www.ynetnews.com)
| Com a ajuda da Base das Lages?
29 de Julho de 2006 «O governo de Bush está a encaminhar rapidamente para Israel bombas teleguiadas de precisão, cujo envio urgente foi solicitado por este país na semana passada, depois de desencadear a operação de ataques aéreos contra alvos do Hezbolá no Líbano, afirmaram representantes do governo». (New York Times, 22 de Julho de 2006).
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Pretexto
17 de Julho de 2006 A primeira proposta dos militantes palestinianos foi trocar o soldado Shalit pela libertação das mulheres, jovens e crianças presas nas cadeias israelitas. Israel recusou, garantindo não ceder à chantagem dos raptores. Segundo o psicólogo Ahmed Abu Tawahina, vice-director do Programa de Saúde Mental de Gaza, organização não-governamental reconhecida internacionalmente, existem cerca de 500 prisioneiros com menos de 18 anos. "E estar ou ter estado na cadeia é ter sido submetido a tortura". (Alexandra Lucas Coelho, Pública, 17-7-06)
| As regras são para os outros
1 de Julho de 2006 Segundo a KVNA, agência noticiosa central da Coreia do Norte, só durante o mês de Junho os EUA violaram 220 vezes o espaço aéreo daquele país, em missões de espionagem. Durante a crise de Abril último, o número de violações do espaço aéreo ascendera a 170.
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Que fazer?
1 de Julho de 2006 Segundo o Voltaire International, o regime bushista divide-se quanto ao caminho a seguir no confronto dos EUA com o Irão. Por exemplo, nas páginas do Washington Post, Kissinger e Richard Perle (o 'Príncipe das Trevas') degladiam-se. Kissinger defende o caminho das negociações directas EUA-Irão sem passar pela Europa, caminho que, aparentemente, está a ser seguido por Condoleeza, na linha mais soft do Departamento de Estado. Perle mantém-se fiel à linha dura até agora vigente: mandar recados via Europa com ameaças de bombas e a perspectiva duma nova agressão.
| Embaixada italiana recusa visto
30 de Junho de 2006 "O senhor não está a dizer a verdade sobre o propósito da sua viagem a Itália. Qual é o seu interesse nas diabetes e no urânio empobrecido?" exigiu saber o cônsul italiano em Bombaim. "Eu só quero ir a Itália encontrar-me com Leuren Moret", respondeu o reputado médico indiano. Leuren Moret conta este episódio numa entrevista do passado dia 29. E acrescenta: "O médico não tinha falado de diabetes nem de urânio empobrecido". O representante do governo italiano fazia um interrogatório cerrado a um dos médicos mais importantes da Índia. Esta "entrevista" na embaixada italiana teve lugar em 27 de Junho, em Bombaim, Índia. Antes disso, esse médico já fora várias vezes a Itália e esperava tudo menos este tratamento ultrajante.O cônsul negou-lhe autorização para ir a Itália encontrar-se com Leuren Moret.
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