Fonte: Uruknet, Tradução de F. Macias
Um ladrão que foge com o que roubou a escorregar-lhe do bolso, pode-se esconder dos olhos dos outros mas a sombra da noite não dura muito tempo. Quando o primeiro raio de sol da liberdade brilhar, o rosto repelente dos EUA revelar-se-á.
Esse rosto levara-nos a acreditar no elevado idealismo e moralidades lendárias que vemos nos filmes de Hollywood. Os Ianques têm revelado as suas raízes colonialistas – os genes que herdaram dos seus antepassados que ocuparam o continente norte-americano e exterminaram a população de índios americanos, a fim de poderem esconder mais tarde a verdade. Nessa altura eles detinham o monopólio sobre os media, através dos quais descreviam os Índios Americanos como bárbaros, brutais, assustadores, traiçoeiros e cobardes. Por outro lado, o invasor europeu (cara pálida) poderia deter um ataque de uma tribo Apache inteira, com uma pistola carregada com apenas oito balas. Assim, nós acreditávamos nestas mentiras quando víamos os filmes de Hollywood. Também acreditávamos na natureza nobre do objectivo, que era de levar a civilização aos povos primitivos.
No entanto, as explicações quanto à verdadeira natureza dos EUA surgiram depois de o primeiro rocket atingir o abrigo de Amiriya em 1991, matando centenas de civis que se tinham abrigado ali. Depois disso, bombas inteligentes começaram a esmagar as infra estruturas vitais do Iraque; e logo entrámos num sombrio subterrâneo para sobrevivermos ao cerco que durou 13 anos. Este cerco terrível custou-nos a vida de um milhão de crianças. O Iraque tornou-se numa cidade fantasma onde gemidos e lamentos de fome se ouvem durante toda a noite.
As bombas que caíram em Bagdade em 2003 não escaparam à atenção dos Iraquianos. Nem eles se esqueceram delas. Depois disso começou o processo da total ocupação do Iraque. Assim os Iraquianos viram os Ianques no seu país pela primeira vez, pregando a chamada democracia! Depressa o Iraque se transformou num país ocupado e dificilmente se passa um dia sem um crime hediondo ou uma violação a coisas sagradas ou aos direitos humanos.
A mesma coisa se aplica ao outro país ocupado (o Afeganistão), que é gémeo do Iraque no sentido em que sofre a ocupação e provações semelhantes. Os militares norte-americanos trataram as populações do Iraque e do Afeganistão como se elas fossem corpos sem almas, uma designação usada pelos norte-americanos religiosos ao povo do México. Os nossos corpos transformaram-se em bonecos-alvo das suas armas e usados no tiro ao alvo. Quer sejam balas reais contra as pessoas ou urina sobre os cadáveres (como vimos recentemente na televisão, que tem vindo a apresentar os crimes da ocupação porque os media já não são do domínio único das organizações sionistas e dos EUA), dia após dia, nós vemos e ouvimos falar de crimes que são uma vergonha para a humanidade.
O que me aflige a mim e a milhões de outras pessoas Árabes e Islâmicos, assim como à humanidade em geral, é que a história repete-se, e o ocupante que mata fica impune, enquanto aqueles que são mortos têm pele de cor mais escura! Como os que foram mortos não eram norte-americanos, a pena limitava-se a uma reprimenda, à negação de uma licença ou à despromoção de sargento a soldado! Estas foram as penas pelas centenas, se não milhares de vidas que foram tomadas pela arrogância e vileza militar dos norte-americanos. Há muito pouco tempo houve um caso que fez o povo árabe odiar os EUA e aqueles que os seguem, o tribunal absolveu o criminoso soldado Frank Wuterich. Ele era acusado de um massacre recente que matou vinte e cinco iraquianos, entre os quais mulheres e crianças, ao atirar com granadas contra casas em segurança, em resposta ao assassinato de um dos seus colegas pela resistência iraquiana. Ele foi absolvido, depois de admitir a culpa, como parte de um acordo entre os promotores militares, e teve uma pena suspensa de 90 dias. Além disso, o Estado iraquiano pagou 104 milhões de dólares às famílias de dois que morreram vítimas do atentado de 9/11. Um juiz norte-americano aprovou que a mencionada indemnização proviesse de bens iraquianos congelados, fundamentando a sua sentença numa declaração do antigo Secretário de Estado Colin Powell segundo a qual tinha havido uma ligação entre a al-Qaida e o anterior regime iraquiano. No ano passado, o parlamento iraquiano votou uma resolução para indemnizar os familiares dos norte-americanos até 400 milhões de dólares; e a razão disto foi porque o governo iraquiano os deteve e ameaçou de os usar como escudos humanos!
O problema não está na carroça mas no cavalo que a puxa! Os políticos iraquianos não dão valor ao sangue dos Iraquianos – até ao ponto de o presidente e o primeiro-ministro terem ido, um atrás do outro, pôr flores nas sepulturas dos soldados criminosos da ocupação. Entretanto, nenhum deles se preocupou em visitar as famílias dos mártires que foram mortos por balas da ocupação.
Quanto tempo precisaremos nós para aprendermos que no Iraque a política é a arte de beijar as mãos dos norte-americanos enquanto se corta as dos Iraquianos? Quanto tempo iremos nós ranger os dentes de raiva ao ouvirmos, diariamente, novas infâmias perpetradas por soldados norte-americanos, sendo nós as vítimas? E se nós não valemos nada para aqueles que nos fazem mal e defendem a tirania contra o povo iraquiano, podemos esperar consideração do colonizador que não se preocupa com derramar o nosso sangue? Como seria se tivesse sido o Iraque a matar uma família norte-americana? E o que teria acontecido se um cidadão afegão urinasse sobre o cadáver de um turista norte-americano que ele tinha matado a sangue frio? E o que aconteceria se al-Maliki manifestasse a sua ansiedade em punir os soldados ocupantes com o mesmo entusiasmo que ele mostrou ao deter o vice-presidente da República?
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