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Depoimentos
Abu Ghraib dos britânicos: Foram os britânicos cúmplices nos abusos aos iraquianos?
25 de Novembro de 2009
Robert Verkaik
Fonte: uruknet | Tradução de Guadalupe Magalhães

Acusações de que os soldados britânicos recrearam as condições de tortura de  Abu Ghraib cometendo abusos sexuais e físicos sobre civis iraquianos estão a ser investigados pelo Ministro da Defesa. Alegações recentes levantam questões importantes acerca dos conluios entre britânicos e norte americanos acerca dos maus tratospraticados sobre prisioneiros iraquianos durante a invasão. Num caso, os soldados britânicos são acusados de empilhar os corpos dos prisioneiros uns sobre os outros e sujeitá-los a choques eléctricos, um eco do abuso praticado no famoso centro de detenção da prisão de Abu Ghraib em Baghdad.

Um dos acusadores diz que foi raptado por dois soldados britânicos e outros dizem que foram despidos, abusados e fotografados. Pela primeira vez, as mulheres soldados são acusadas de ajudar no abuso físico e sexual dos detidos.
Os 33 casos , que constituemparte de uma carta de pré-acção protocolar, inclui alegações de outras técnicas de tortura amplamente empregues pelos norte americanos, tais como execuções à marretada, ataques de cães, e exposição à pornografia.

Num dos muitos casos perturbadores, Nassir Ghulain, um jovem iraquiano, diz que a sua tortura foi baseada em fotografias tiradas em Abu Ghraib. Ele diz que estava a jogar futebol com amigos em Abril de 2007 quando se aproximaram soldados britânicos em jipes. O seu interprete disse a dois iraquianos que queriam que eles fossem com eles a uma base britânica. Quando chegaram ao campo tiraram-lhes os capuzes e foram rodeados por seis a oito soldados e ´disseram-nospara lutar um com o outro oucom eles. Os soldados riam e tiravam fotos. Depois mandaram-nos deitar um  por cima do outro, em pilha, enquanto um soldado se pôs em cima de nós de pé a gritar e a rir´.
O senhor Ghulaim diz que os soldados forçaram um jovem iraquiano a despir-see começaram a brincar com o seu pénis enquanto lhe tiravam fotografias. Quando o senhor Ghulaim recusou lutar, o soldado bateu-lhe com força nas costas e ele caiu no chão. ´Um soldado começoua bater-me com um bastão nos joelhos e usou um bastão eléctrico em várias partes do meu corpo´ acrescentou ele. Depois de três dias de detenção foi libertado sem acusação.
Hussain Hashim Khinyab, de 35 anos, que tem três filhos, foi preso em Abril de 2006. Ele afirma que foi barbaramente torturado no campo britânico de Shaaibah e mais tarde foi abusado sexualmente por uma mulher soldado. Ele ainda alega que quando saía da solitáriaviu homens e mulheres soldadosa praticar o acto sexual em frente dos prisioneiros. Diz que isto era feito deliberadamente para humilhar os prisioneiros. Em Maio de 2003, um iraquiano de 16 anos estava entre o grupo de iraquianos levados parao campo britânico de Shatt-al-Arab para ajudar a encher sacos de areia. Quando o jovem iraquiano, que deseja ficar anónimo, e os seus amigos tinham enchido os sacos disponíveis, um soldado britânico disse-lhe para entrar num compartimento onde ele pensou ir buscar mais sacos de areia.
Quando entrou afirma ter visto dois soldados a fazerem sexo oral. Logo que o viram entrarcomeçaram a bater-lhe e a dar-lhe pontapés. Quando caiu no chão um dos homens encostou-lhe uma lâmina ao pescoço enquanto os outros o despiam. Embora ele gritasse com desespero, os dois soldados britânicos, um depois do outro, violaram-no ali mesmo.

Na carta ao Ministério da Defesa, Phil Shiner, o advogado que representa os iraquianos, disse: ´devido ao maior acesso à informação por parte dos EUA, nós sabemos que a humilhação sexual foi autorizada ao mais alto nível da administração do EUA, como uma ajuda ao interrogatório dos presos. Dada a história do envolvimento do Reino Unido no desenvolvimento destas técnicas, juntamente com os EUA, é profundamente preocupante que surjam semelhançasfortes entreos exemplos do uso de humilhação sexual´.
Mazin Younis, um líder iraquiano, activista dos Direitos Humanos, a trabalhar no Reino Unido, disse que muitos dos novos casos que ele tinha visto incluem alegações de técnicas de humilhação sexual que faziam  parte daquilo que ele disse ser uma cultura de abuso no sentido mais amplo. E acrescentou: ´isto é muito semelhante ao que se passou em Abu Ghraib e foi claramente empregue para quebrar a vontade dos detidos. Centenas de soldadosdevem ter sido testemunhas destes abusos mas ou devem ter pensado que este era um comportamento aceitável ou deve ter-lhes sido dito, pelos seus superiores, para fecharem os olhos´.
Mr Shiner diz que os novos casos se tornaram conhecidos depois da retirada do Iraque este ano. Ele acrescentou: ´ Muitos destes Iraquianos tiveram medo de denunciar e só agora foram capazes de ganhar coragem para fazê-lo. Não é um acto mesquinho depois do que eles foram obrigados a passar´.

E o porta-voz do Ministério da Defesa disse: ´Mais de 120.000 tropas britânicas serviram no Iraque e a grande maioriaconduziu-se dentro dos mais elevados padrões de integridade e entrega desinteressada. Houve exemplos de indivíduos que manifestaram um mau comportamento, mas apenas um pequeno número mostrou ter caído na indignidade e desrespeito dos mais elementares valores.

´Alegações desta natureza são levadas muito seriamente mas não devem ser tomadas como factos. Devem ser permitidas investigações formais para seguirem o seu curso sem julgamentos prematuros´
Em Londres, o inquérito público continua a ouvir mais provas sobre a morte do recepcionista de hotel Baha Mousa, de 26 anos, que foi espancado até à morte por soldados britânicos em 2003. A autopsia revelou que ele apresentava 93 ferimentos diferentes.
Nassir Ghulaim, de 24 anos, camponês , casado recentemente, conta o que aconteceu depois da sua prisão em Abril de 2007: ´Eu estava a jogar futebol com os meus amigos. Nós sempre ficávamos na rua principal esperando por alguém quenos apanhasse para o trabalho no campo. Então jipes britânicos aproximaram-se de nós e pararam. Alguns soldados saltaram do jipe e dirigiram-se a nós. Não tinham interprete com eles e apontaram para mim e o meu amigo(Salam) para que entrássemos no jipe. Eles não nos forçaram e nós não resistimos porque pensámos que nos estavam a recrutar para qualquer trabalho pago. Em 2004 eles levaram-me para trabalhar na limpeza de um edifício. Não fomos vendados nem algemados. Depois de um curto percurso fomos transferidos para um APC. Desta vez fomos algemados e taparam-nos os olhos. Não fazíamos ideia da razão deste comportamento. O APC levou-nos durante menos de uma hora e parou num lugar que ficámos a saber mais tarde ser o campo Akka in Al-Zubayr. Fomos levados para uma divisão onde os soldados começaram a despir-nos. Ficámos apenas em cuecas. Depois deram-nos uma bebida que nos provocou confusão mental e dor de cabeça. Deve ter sido uma droga de qualquer espécie. Tiraram-nos as vendas e verifiquei que estávamos rodeados por 6 a 8 soldados. Nós éramos cinco. Disseram-nos para lutarmos uns com os outros ou com eles. Estavam a rir-se de nós e a tirar fotografias com máquinas digitais. Depois mandaram-nos por uns por cima dos outros em pilha, como nas prisões de Abu Ghraib, enquanto um soldado se pôs em cima de nós de pé a gritar e a rir. Eu senti-me extremamente humilhado e tratado como um brinquedo que eles pudessem pisar. Mais tarde apanharam um jovem com muito bom aspecto. Obrigaram-no  a despir-seebrincaram com o seu pénis enquanto lhe tiravam fotografias. Numa ocasiãorecusei-me a  lutar e umsoldado bateu-me com força nas costas o que me fez cairno chão. Outro soldado começoua bater-me com um bastão nos joelhos e usou um bastão eléctrico em várias partes do meu corpo. Depois de três dias de detenção fui libertado sem acusação. Uma mulher soldado despiu-se e expôs-se diante de mim´.

 

Hussain Hashim Khinyab, de 35 anos, casado, com três filhos, foi preso em Abril de 2006.Ele afirma que foi barbaramente torturado no campo britânico de Shaaibah onde diz que foi vítima de  abusos sexuais quer por homens quer por mulheres. No seu depoimento afirma: ´os soldados costumavam passar filmes pornográficos durante as noites e de madrugada. Eu também verifiquei que todas as vezes que eu começava a rezar ou a ler o Corão eles punham a tocar música muito alta para me distraírem bem como aos outros detidos´. O senhor Khinyab, um carpinteiro, acrescenta: ´enquanto estava na sanita ou no chuveiro, uma mulher soldado costumava exibir o peito ou outras partes do corpo ou ter comportamentos sexuais com outro soldado na minha frente. Uma outra fez gestos significando que queria ter sexo comigo. Eu era um muçulmano convicto e este comportamento era vergonhosos e humilhante para mim. Outra vez um soldado apontou o laser da sua espingarda para o meu pénis, enquanto eu estava na sanita.Ele ainda alega que quando saía da solitáriaviu homens e mulheres soldadoster relações sexuais em frente dos prisioneiros. Diz que isto era feito deliberadamente para humilhar os prisioneiros. Mais tarde ainda foi abusado sexualmente por uma enfermeira enquanto estava a recuperar no hospital.

 
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