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Iraque: comentador de TV que criticava o governo foi alvejado
30 de Novembro de 2009
Raheem Salman, Usama Redha
Fonte: uruknet | Tradução de Amilcar Sequeira

Um enorme murmúrio percorre Bagdad após o atentado sofrido, no dia 23 à noite, por um importante comentador da televisão que criticava regularmente o governo no seu programa ´Sem barreiras´, num canal de televisão privado, o TV Al-Diyar. Imad Abadi, foi alvejado na cabeça e no pescoço por atiradores que usaram uma pistola equipada com um silenciador, cerca das 20 horas, quando seguia no seu carro próximo Salhiya, não muito longe da chamada Zona Verde de Baghdad. Conseguiu manter-se na condução até um posto de controlo iraquiano, e os médicos que o operaram disseram que eram boas as possibilidades da recuperação. ´Certamente serão os políticos os responsáveis´, disse Ziad Ajili, dirigente do Obervatório das liberdades dos jornalistas, um grupo independente para a liberdade de imprensa. ´Era muito corajoso a denunciar a corrupção e é um dos jornalistas mais proeminentes a criticar os partidos políticos´.
A televisão Al Sharqiya passou repetidamente ao longo do dia um excerto recente de uma entrevista com Abadi, onde ele denunciava estar a receber ameaças de morte, dos perigos que enfrentam os jornalistas e na escalada da corrupção no Iraque. ´Um jornalista deve ser uma pessoa livre, que possa escrever sobre o que quizer, mas hoje em dia seja qual fôr o escândalo que escreva, cairá sobre a sua cabeça´, disse. ´Noutro país do mundo, um jornalista pode gastar um ano e milhares de dólares para investigar um escândalo, mas no Iraque muitos escândalos ocorrem num só dia´.  Acusam eintimidam os jornalistas, alegam que recebem dinheiro do exterior ou que são colaboradores. O povo sabe quem são os traidores e quem recebe dinheiro do exterior - e não são os jornalistas iraquianos, 284 dos quais foram sacrificados na defesa da liberdade.
Os jornalistas andam por Bagdad dia e noite sem qualquer protecção, de carro ou a pé, enquanto outros têm 50 carros com seguranças, mesmo assim têm medo e ficam na Zona Verde.
O Observatório das liberdades dos jornalistas diz que 284 jornalistas e trabalhadores da comunicação social foram mortos desde a invasão do Iraque comandada pelos Estados Unidos em 2003, 175 dos quais em plena execução dos seus trabalhos. O Comité para a Protecção dos Jornalistas, sediado em Nova Iorque, diz que 139 jornalistas foram mortos no Iraque, 89 dos quais assassinados. Nenhum dos assassinatos investigados foi resolvido, diz o CPJ. No início da guerra, a maioria das mortes ocorreram nos combates, mas com o aumentar da violência, o mais provável é os jornalistas serem alvejados por causa do que escrevem. CPJ destaca o exemplo de um journalista de Kirkuk, Soran Mama Hama, que expôs a cumplicidade da polícia num círculo de prostituição e foi assassinado por causa disso em Julho 2008.

 
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