Carta enviada em 18 de Outubro 2009
Para: As Nações Unidas
As jovens de Fallujah, no Iraque, vivem com terror de terem filhos, devido ao aumento do número de bebés que nascem com malformações grotescas, sem cabeça, com duas cabeças, um único olho na testa, com o corpo coberto de escamas ou sem membros. Além disso, as crianças na primeira infância, estão a deparar-se com terríveis cancros e leucemias. Estas deformações são bem documentadas, por exemplo em documentários do canal de televisão do Reino Unido SKY em 1 de Setembro de 2009, e em Junho de 2008. Através do nosso contacto directo com médicos de Fallujah, foi-nos relatado que:
Em Setembro de 2009, nasceram no Hospital Central de Fallujah 170 bebés, 24% dos quais morreram nos primeiros sete dias, e por incrível 75% dos bebés mortos foram classificados como deformados. Estes dados podem ser comparados com os dados do mês de Agosto de 2002, em que nasceram 530 bebés dos quais seis morreram nos primeiros sete dias e apenas foi relatado um defeito de nascimento.
Os médicos de Fallujah comentaram especificamente, que não só eles estão a testemunhar defeitos de nascimento em quantidade sem precedentes, como os partos prematuros também aumentaram consideravelmente a partir de 2003. Mas o mais alarmante é os médicos terem dito que “ um número importante de bebés que sobrevivem, começam mais tarde a desenvolver várias deformações”.
Sendo um dos muitos médicos e cientistas, profundamente preocupados com Iraque, o Dr.Chris Burns Cox, médico do hospital Britânico, escreveu uma carta à Rt.Hon.Clare Short, M.P. pedindo informações desta situação. Ela escreveu ao Rt.Hon.Douglas Alexander, M.P. Secretário de Estado do Departamento para o Desenvolvimento Internacional (cargo que ela ocupou antes de se demitir por uma questão de princípio, em Maio de 2003), pedindo esclarecimentos sobre a situação das crianças deformadas de Fallujahh.
Houve uma resposta datada de 3 de Setembro 2009 (dois dias após a transmissão do canal SKY, no dia 1 de Setembro) dum ministro-adjunto do Secretário de Estado, o Sr.Gareth Thomas MP, Ministro do Departamento para o Desenvolvimento Internacional. Na resposta ele nega que haja mais do que duas ou três crianças deformadas em Fallujah, por ano, e declara que portanto, não há problema. Isto está em absoluto desacordo com os relatos provenientes de Fallujah.
Um coveiro de um único cemitério enterra quatro ou cinco bebés por dia, e ele diz que a maioria têm deformações.
Clare Short cedeu-nos uma cópia desta carta. Ela é exactamente igual a três outras respostas que recebemos ao longo de quatro anos, no que diz respeito à questão da saúde infantil e ao uso do urânio empobrecido. Todas estas cartas se baseiam em mentiras com o objectivo de confundir as pessoas a quem se destinam. Na sua autobiografia “Honorable Deception?” Clare Short diz “A primeira intenção do Número 10 (Downing Street) é mentir “. Consideramos a falsidade da carta do Sr.Thomas e das outras cartas que recebemos, extremamente grave. Estas cartas não tratam de questões menores de corrupção ou impostos, mas sim da utilização de forças militares e de armas mortíferas.
O uso de certas armas tem repercussões terríveis. O Iraque vai-se tornar, se não se tornou já, num país onde é aconselhável não se ter filhos. Outros países irão olhar para o que tem acontecido no Iraque, e copiar o total desrespeito dos Aliados da Coligação à Carta das Nações Unidas, ao Tratado de Genebra, às Convenções de Haia, e ao Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Alguns países, como o Afeganistão, também virão a sentir os danos de longo prazo ao meio ambiente, calculados em biliões de anos, e os efeitos devastadores do urânio empobrecido e das bombas de fósforo branco.
Se, como dizemos na carta ao Ministro do Departamento para o Desenvolvimento Internacional, o Governo do Reino Unido não conhece claramente os efeitos das armas que utiliza, nem, por uma questão política, sabe “o número de vítimas que elas fazem” , como pode o Governo do Reino Unido avaliar se está a conduzir as guerras no Iraque e Afeganistão de acordo com o Direito Internacional, especialmente em termos da “proporcionalidade” e dos danos ao meio ambiente? Como pode o Reino Unido saber da ilegalidade dos sistemas de armas que vende no mercado internacional, tais como os mísseis “Storm Shadow” se o próprio Departamento do Governo que supostamente avalia as mortes e as necessidades médicas das crianças e adultos no Iraque, não está a dizer a verdade?
Nós exigimos da Assembleia Geral da ONU o seguinte:
- Reconhecer que há um grave problema em relação ao número sem precedentes de defeitos de nascimento e casos de cancro no Iraque, especialmente em Fallujah, Basra, Bagdade e Al-Najaf.
- Criar um comité independente para conduzir uma investigação detalhada sobre o problema do aumento do número de defeitos de nascimento e de cancrosno Iraque.
- Proceder à limpeza de materiais tóxicos usados pelas forças de ocupação, incluindo o urânio empobrecido e fósforo branco.
- Impedir a entrada de crianças e adultos em áreas contaminadas para minimizar a exposição àqueles perigos.
- Investigar se foram cometidos crimes de guerra ou crimes contra a humanidade e assim defender a Carta das Nações Unidas, o Tratado de Genebra, as Convenções de Haia e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.
Atentamente,