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Depoimentos
Blair ainda acredita na decisão da Guerra do Iraque
20 de Fevereiro de 2010
Aljazeera.net
Fonte: Uruknet | Tradução de F. Macias

“ Antes de 2003 havia problemas com a saúde, as infra-estruturas e os serviços públicos, e as pessoas morriam devido às sanções, mas depois de 2003 há maiores catástrofes” (Ahmed Rusdi, jornalista iraquiano)

Tony Blair, o antigo primeiro-ministro Britânico, reafirmou a sua decisão de entrar na guerra do Iraque em 2003, dizendo que tomaria a mesma decisão de novo.
Ao testemunhar num inquérito público em Londres, em fins de Janeiro, Blair disse que os serviços de informação antes da guerra o convenceram que era necessário parar Saddam Hussein, o então presidente Iraquiano, de fabricar armas de destruição maciça.
Ele declarou à comissão de inquérito que a percepção do risco proveniente dos estados patifes e falhados mudou depois dos ataques de 11 Setembro 2001 aos Estados Unidos.
“Quando eu afirmei antes, que o cálculo de risco tinha mudado depois do 11 de Setembro, era realmente importante, penso eu, acreditar nisso, para se compreender a decisão que tomei e, francamente, voltaria a tomar” disse ele.
“Se houvesse alguma possibilidade de ele poder fabricar armas de destruição maciça, devíamos pará-lo. Foi esse o meu ponto de vista então. É o meu ponto de vista agora.”
‘A mensagem eficaz’
Apesar das armas de destruição maciça nunca terem sido descobertas pelos inspectores das N.U, Blair disse que ficou convencido que Saddam tinha esse potencial.
“Ele (Saddam) tinha-as utilizado e definitivamente tinha-as na sua posse…e assim, de certo modo, eram necessárias provas muito fortes do contrário, para se pôr em dúvida que ele tinha este programa”, disse Blair.
“A decisão que eu tinha que tomar era, dado o passado de Saddam, as suas armas químicas, mais de um milhão de mortes que ele causara e os dez anos de violações ás resoluções das NU, se podíamos correr o risco deste homem retomar o seu programa de armamento?
“A minha primeira reflexão, foi de enviar uma mensagem absolutamente eficaz, clara e sem cedências para, depois do 11 de Setembro quem fosse dum regime comprometido com WMD (armas de destruição maciça), era obrigado a parar.”
Este inquérito é a terceira maior investigação, em Inglaterra, ao conflito. Foi instaurado o ano passado por Gordon Brown, que recebeu de Blair o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, para tirar lições do conflito.
Não bastante firme’
Vincent Moss, o editor de política do jornal Sunday Mirror, disse à Aljazeera que o inquérito a Blair, cuja decisão de enviar 45,000 militares para o Iraque fez explodir protestos em Inglaterra e em todo o mundo, podia ter sido mais firme.
“ Muitas questões de interesse não foram abordadas e em minha opinião, nada foi tratado com suficiente detalhe, especialmente o suspeito dossier de Setembro de 2002.
“Não houve grande inquirição sobre esse assunto, eles aceitaram quase completamente o que Tony Blair disse acerca dos serviços de informação. Podíamos ter tido um interrogatório muitíssimo mais firme sobre isso”, disse ele.
Numa curta introdução ao chamado “dossier suspeito”, foi dito que a posse de armas químicas e biológicas, por parte de Saddam estava “fora de qualquer dúvida” e que ele podia accioná-las em 45 minutos.
Mas a comissão de inquérito já sabia por chefes da administração pública, que os serviços de informação, dias antes da invasão, informaram que “as armas de destruição maciça” de Saddam tinham sido desmanteladas.
Na sexta-feira Blair relativizou a controvérsia sobre o dossier, dizendo que “ele foi realmente entendido como pouco transparente e cauteloso nessa altura”.
“ De facto, foi dada uma importância muito maior, mais tarde, precisamente por causa da afirmação extraordinariamente grave, de que nós, em Downing Street, tínhamos deliberadamente falsificado as informações secretas, o que com certeza, não tínhamos.”.
A legalidade da guerra
 A comissão de inquérito confrontou Blair com o depoimento dado no princípio desta semana, por dois antigos conselheiros do Ministério das Relações Externas, que disseram que não havia nenhum fundamento para a guerra, reconhecido pela lei.
Michael Wood, um dos antigos conselheiros, incluído no inquérito, disse que a resolução 1441 das NU que deu a Saddam Hussein uma última oportunidade para desistir das armas de destruição maciça, não deu nenhum argumento para o exército intervir.
Mas Blair disse que o parecer de Peter Goldsmith, então Procurador-Geral, esclareceu que (a resolução) 1441 defendia o uso da força contra Saddam.
“O que era mais importante para mim na resolução 1441, era não apenas ela declarar que Saddam estava a violar a lei, mas dizer também, que não obedecer incondicional, imediata e totalmente aos inspectores, era por si só matéria de infracção,” disse ele.
“Se (Goldsmith) por fim tivesse dito, isto não pode ser validado pela lei, então nós teríamos sido incapazes de agir.”
Goldsmith disse no inquérito no princípio da semana, que de início tinha acreditado que era necessária uma segunda resolução que validasse o conflito, mas mudou de ideias depois de conversar com os juristas dos EU.
Blair relativizou quaisquer suspeições que Goldsmith tivesse sido pressionado a mudar de opinião, dizendo: “Quem conhecer Peter sabe que ele não o faria, a não ser que ele próprio acreditasse e pensasse que era o que deveria fazer.”
‘Nenhum bom resultado’ no Iraque
Ahmed Rushdi, jornalista iraquiano, disse à Al Jazeera que não ficou surpreendido com a defesa de Blair quanto à invasão.
“Um mentiroso é sempre um mentiroso”, disse
Rushdi também disse que depor Saddam, não tinha feito muito para ajudar o povo iraquiano.
“Antes de 2003, havia problemas com a saúde, as infra-estruturas e os serviços públicos, e o povo morria por causa das sanções, mas depois de 2003 há maiores catástrofes” disse ele.
“Enormes explosões mataram cerca de 2,000 pessoas até agora. Após seis ou sete anos, não existe nenhum bom resultado no terreno, em nenhum aspecto.”
Blair reconheceu que a Inglaterra teve alguma “responsabilidade” pelo colapso da segurança no Iraque desde a invasão.
“Mas vamos ser muito claros porque é que nós enfrentámos as dificuldades…porque estas pessoas estavam preparadas para ir matar, fosse qual fosse o número de pessoas completamente inocentes,” disse
Centenas de manifestantes, incluindo companheiros contra a guerra e as famílias dos 179 soldados que morreram no Iraque, juntaram-se fora do edifício onde Blair estava a testemunhar.
Quando começou o inquérito, John Chilcot, o presidente do júri lembrou à audiência que a audição “não é um julgamento”.

 
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