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21 de Maio de 2006 Noam Chomsky (*) A discussão em torno da “guerra justa” ressurgiu nos meios eruditos e mesmo no dos fazedores da política. Nas suas tão apreciadas reflexões acerca da guerra justa, Michael Walzer descreve a invasão do Afeganistão como “um triunfo da teoria da guerra justa”. Os factos, esses, são ignorados, mesmo os mais óbvios. Com a “guerra justa” e o contra-terrorismo, os EUA colocam-se à margem dos princípios fundamentais que regem a ordem mundial, em cuja formulação e estabelecimento tiveram, aliás, um papel fundamental: a Carta das Nações Unidas, as Convenções de Genebra e os Princípios de Nuremberga. A “National Security Strategy” [Estratégia Nacional de Segurança], reconhece aos EUA o direito de levar a cabo a “guerra preventiva”. Ou seja, o direito de cometer agressões, pura e simplesmente. 
| 21 de Maio de 2006 Dahlia Wasfi Depoimento de Dahlia Wasfi numa reunião de congressistas estadunidenses sobre a situação no Iraque, em 2 de Maio passado. Dahlia Wasfi é cidadã norte-americana, de origem iraquiana, filha de mãe judia e pai árabe. Visitou os familiares no Iraque em 2004 e 2006 e o seu testemunho é feito com base no que observou. “A vossa obrigação para com o povo do Iraque, para com o povo americano, e para com o resto do mundo, é a retirada imediata e incondicional das tropas e dos mercenários americanos do Iraque.” 
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20 de Maio de 2006 Sabah Ali “A questão continua a ser como é que semelhante governo, com a desconfiança mútua dos seus membros, as suas agendas ocultas e as suas trincheiras sectárias e étnicas, vai conseguir abordar as descomunais complicações da situação iraquiana. Nenhum deles confia nos outros o suficiente para lhes permitir controlar as forças de segurança.” 
| 18 de Maio de 2006 José Mário Branco A actual crise política entre os EUA e o Irão é um terreno em que podemos observar o papel de porta-vozes da política imperial dos EUA que é o de alguns “jornalistas” e comentadores dos média portugueses, como Luís Delgado, Pacheco Pereira, Vasco Rato, Severiano Teixeira e outros. O problema deles é que são muito pouco credíveis: há bem pouco tempo, a propósito do Iraque, enganaram descaradamente os seus leitores e ouvintes; a memória não é assim tão curta. Mas nem isso, agora, os inibe. O caso de José Manuel Fernandes (JMF), director do jornal Público, é típico. Ao comparar o presidente iraniano com Adolf Hitler, JMF tem um objectivo concreto: evitar que nós reparemos que, na realidade, a actual política expansionista e agressiva dos EUA é que se pode, de algum modo, assemelhar à política expansionista (“lebensraum”) e agressiva do nazismo. 
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6 de Maio de 2006 John Pilger Presos no elevador do Hilton, a olhar para a CNN, os meus companheiros de ascensor bem podem ser desculpados por não conseguirem compreender o que é o Médio Oriente, ou a América Latina, ou outra região qualquer. Estão isolados. Nada lhes é explicado. O Congresso cala-se. Os democratas estão moribundos. E os médias mais livres do mundo insultam o público todos os dias. Como dizia Voltaire: “Aqueles que te podem levar a acreditar em insanidades, podem levar-te a cometer atrocidades“. 
| 27 de Fevereiro de 2006 Arundhati Roy, escritora Não é irónico que o único espaço público seguro para um homem que ainda há pouco tempo falava com tanto entusiasmo da modernidade da Índia seja uma fortaleza medieval em ruínas? Como o Purana Qila também hospeda o jardim zoológico de Deli, o auditório de Bush serão algumas centenas de animais enjaulados juntamente com uma lista autorizada de seres humanos enjaulados. 
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7 de Fevereiro de 2006 Pedro de Pezarat Correia Tudo correu mal a George Bush e teve de encolher as garras. A resistência iraquiana obriga-o a prolongar, por anos e sem fim à vista, uma guerra planeada para durar poucas semanas. Agora, na actual estratégia indirecta contra Teerão, está-se perante uma das mais hipócritas e intensas campanhas internacionais de que há memória à qual, lamentavelmente e salvo raras e honrosas excepções, a generalidade dos jornalistas, analistas e comentadores se curva acriticamente, por mero seguidismo, ignorância, ou má-fé. 
| 29 de Janeiro de 2006 Rui Pereira, jornalista Que se passa, hoje em dia no Iraque? De acordo com o dispositivo de propaganda oficial, passa-se ali, o que, por exemplo, se passava nas ex-colónias portuguesas, durante as guerras do final do regime. As NT (Nossas Tropas) controlavam os TO (Teatros de Operações), que eram incidentalmente atingidos por operações terroristas. 
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16 de Janeiro de 2006 Francisco Louçã Foi importante a acção do PR na travagem da decisão de enviar forças militares para a ocupação. Mas a sua anuência ao envio de forças da GNR merece a minha reprovação inequívoca. 
| 6 de Janeiro de 2006 John Pilger, jornalista Está a ser imposta uma ordem violenta e antidemocrática por gente cujas acções pouco diferem das acções dos fascistas. Dantes faziam-no à distância. Agora eles aplicam-no também "em casa". 
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7 de Dezembro de 2005 Harold Pinter, dramaturgo e poeta A invasão do Iraque foi um acto de banditismo, um acto de evidente terrorismo de Estado, que demonstra um desprezo absoluto pelo conceito de direito internacional. A invasão foi uma acção militar arbitrária baseada numa série de mentiras e mais mentiras e numa grosseira manipulação dos meios de comunicação e, portanto, do público; um acto que visa consolidar o controlo militar e económico dos Estados Unidos sobre o Médio Oriente disfarçado – como último recurso – tendo todas as outras justificações caído por si mesmas – de libertação. Uma formidável afirmação de força militar responsável pela morte e a mutilação de milhares e milhares de pessoas inocentes.
| Um dos mais respeitados e antigos correspondentes do Médio-OrienteIraque: o jornalismo de hotelOs iraquianos, cuja resistência controla o país, nunca tiveram uma guerra civil 9 de Novembro de 2005 Robert Fisk, conferência de imprensa de apresentação do seu livro "A grande guerra pela civilização", em Antuérpia (Bélgica) Esqueçam o que se diz da nova constituição. Esqueçam o recente referendo. A realidade iraquiana é diferente. A resistência controla o país, de Kirkuk a Bassorá, incluindo grandes zonas de Bagdade. Os americanos deslocam-se a medo de um quartel para o outro, nos seus veículos blindados. 
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9 de Agosto de 2005 Leuren Moret, cientista nuclear Desde 1991, os EUA disseminaram na atmosfera do planeta a atomicidade radioactiva equivalente a, pelo menos, 400.000 bombas de Nagasaki. Têm continuadamente contaminado a atmosfera mundial com poluição radioactiva, a qual tem uma semi-vida de 2.500 milhões de anos. O urânio empobrecido (DU) é o “cavalo de Tróia” da guerra nuclear. Antes de morrer, o meu avô disse-me que a sua geração tinha feito grandes estragos neste planeta. Imagino o que ele me diria agora. 
| 18 de Fevereiro de 2005 Hassan Juma’a Awad, dirigente sindical (*) Desde os primeiros dias da invasão do Iraque pelas forças dos EUA e britânicas, os trabalhadores do petróleo vêm resistindo à ocupação estrangeira. Nós vivíamos dias negros durante a ditadura de Saddam Hussein. Quando o regime foi derrubado, as pessoas desejavam uma vida nova: uma vida sem grilhetas nem terror; uma vida em que pudéssemos reconstruir o nosso país e usufruir das suas riquezas naturais. Ao invés, as nossas comunidades foram atacadas com armas químicas e bombas de fragmentação, o nosso povo foi torturado, violado e assassinado nas nossas casas. 
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5 de Março de 2003 Salman Abu-Sitta É Israel, e não o Iraque, que se distingue por ser o primeiro país do Médio Oriente a ter utilizado armas de destruição massiva com intenções genocidas. Salman Abu-Sitta, incansável lutador pelo direito dos palestinianos expulsos em 1948 ao regresso às suas casas e terras, traça aqui um quadro bem negro dos crimes – continuados e deliberados – cometidos pelo sionismo sobre o povo mais sofrido do nosso tempo: o povo da Palestina. Este estudo foi publicado em Março de 2003, em pleno arranque da agressão EUA-RU contra o Iraque. Mas a pertinência que tinha então está longe de ter caducado. Continuamos a sentir a sua actualidade de cada vez que – como agora, com a “conferência de paz” de Annapolis – somos submergidos pela propaganda imperial e sionista, que os factos aqui relatados desmentem categoricamente. [TMI-AP] 
| 1 de Novembro de 2002 Diogo Freitas do Amaral De todas as afirmações por mim feitas sobre a crise mundial em que vivemos depois do 11 de Setembro, aquela que provocou mais ondas de choque, chegando a merecer a crítica de alguns amigos mais próximos, foi a que fiz no artigo «A extrema-direita no governo dos EUA», de 12 de Setembro de 2002. Não fiz essa afirmação de ânimo leve, mas muito de caso pensado: é que, quando vivi durante um ano em Nova Iorque, como Presidente da Assembleia Geral da ONU, apercebi-me (sem margem para dúvidas) de que havia uma extrema-direita legal na América, a qual correspondia, essencialmente, à ala mais radical do Partido Republicano. Agora, essa facção ganhou a Presidência dos EUA, no ano 2000, e domina maioritariamente o governo americano. 
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