No decurso dos últimos três anos, o Estado turco prendeu cerca e 8.000 cidadãos a pretexto do combate ao terrorismo. A vaga de detenções denominadas “operações KCK” atingiu activistas, universitários, jornalistas, advogados, eleitos, tradutores e editores, a título das suas actividades democráticas de apoio aos direitos reclamados pelos cidadãos curdos na Turquia.
Nomeadamente, vários membros e apoiantes do BDP (Partido para a Paz e a Democracia) – que tem 36 representantes eleitos no Parlamento turco – foram incriminados e presos a pretexto de serem presumíveis membros do KCK (União das Comunidades do Curdistão), um grupo que o Estado turco considera ser o braço urbano da organização armada conhecida por PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). O Professor Busra Ersanli é o mais conhecido entre aqueles que foram presos em 2011, com o editor Ragip Zarakolu entretanto libertado.
Pretendemos agora chamar a atenção pública para Ayse Berktay (Hacimirzaoglu), conhecida tradutora, investigadora e activista pela paz e pela justiça no mundo. Desde a sua detenção em Outubro 2011 no âmbito das “operações KCK”, está em prisão preventiva no estabelecimento de reclusas femininas Bakirkoy em Istambul. Nove meses depois do seu encarceramento inicial, está previsto que o seu julgamento e o de outros decorra entre 2 e 13 de Julho em Silivri, próximo de Istambul.
Enquanto participantes do (ex) World Tribunal on Irak (WTI), constituímos uma delegação internacional para observar o processo de Ayse Berktay. Ayse Berktay participou na criação do WTI em 2003 e foi uma organizadora fundamental da sua sessão final em Istambul, em Junho 2005. Conhecemos Ayse Berktay como uma pessoa de grande integridade e honestidade. Não se trata de uma terrorista, antes de uma idealista empenhada na paz e na democracia!
Voltamos a Istambul para sublinhar a nossa solidariedade com Ayse Berktay e com outras pessoas consideradas presumíveis terroristas por terem contestado democraticamente o tratamento violento, por parte do Estado turco, da “questão curda”. Consideramos que as “operações KCK” são um meio para propagar o medo entre os activistas, para calar a contestação pública e para tornar vulgar a detenção arbitrária de cidadãos. As detenções em massa de activistas pacíficos e de intelectuais, o tempo longo das suas detenções provisórias e os julgamentos que se lhes seguem constituem uma fonte de vergonha para a Turquia, num momento em que a “democracia turca” é por vezes aplaudida como um modelo para o mundo árabe.
Exortamos o governo turco a pôr fim à repressão dos esforços democráticos de apoio aos direitos reclamados pelos cidadãos curdos da Turquia. Exortamos o governo turco a que deixe de criminalizar os activistas a coberto do combate ao terrorismo. Exigimos a libertação imediata de Ayse Berktay e de todos os presos políticos na Turquia!
Temos a intenção de estar presentes na sala de audiência enquanto observadores internacionais durante o processo. Os nomes dos delegados internacionais encontram-se em baixo. Os membros da delegação internacional estão disponíveis para entrevistas com a imprensa, antes e durante a sua estadia na Turquia.
Anexo
Delegação internacional do WTI
(World Tribunal on Iraq, 2003-2005)
Grupo 1 (2-3-4 Julho):
Fabio Marcelli, advogado italiano, membro da Associação Internacional dos Juristas Democratas; Associação Europeia de Juristas para a Democracia e os Direitos Humanos.
Maria Louisa Martin Abi, advogada espanhola, membro da Associação Internacional dos Juristas Democratas e membro da Associação Europeia dos Juristas Democratas.
Eman Ahmed Khammas, activista iraquiana, autora e jornalista, membro do IAON (International Anti-Occupation Network), co-fundadora do WTI.
Lieven De Cauter, filósofo belga, professor na Universidade de Lovaina, presidente do BRussells Tribunal, co-fundador do WTI.
Grupo 2 (11-12-13 Julho):
Tony Simpson, director da Fundação Bertrand Russell para a Paz e editor do jornal The Spokesman.
Paloma Valverde, coordenadora do CEOSI (Campaña Estatal contra la Ocupación y por la Soberanía de Iraq), membro do IAON (International Anti-Occupation Network), co-fundadora do WTI (sessões espanholas).
Pedro Rojo, coordenador do CEOSI (Campaña Estatal contra la Ocupación y por la Soberania de Iraq), membro do IAON (International Anti-Occupation Network), co-fundador do WTI (sessões espanholas).
Ayça Çubukçu, assistente na London School of Economics and Political Science, co-fundadora do WTI (sessão de Nova Iorque).
Patrick Deboosere, especialista em ciências políticas, professor de demografia na Université Libre de Bruxelles, co-fundador do BRussells Tribunal e do WTI.
Carta de Ayse Berktay: http://www.jadaliyya.com/pages/index/3787/letter-from-istanbul-bakirkoy-womens-prison
Petição: http://www.ipetitions.com/petition/detentionsinturkey/
Contacto de imprensa:
ELIF KALAYCIOGLU, ex-jornalista
+90 533 366 86 22 (telemóvel)
wtidelegation@gmail.com