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Os árabes desde há muito que acusam os curdos de cooperarem com os israelitas
Israel “treina forças curdas”
20 de Setembro de 2006
Magdi Abdelhadj, analista de assuntos árabes, BBC News
Fonte: BBC News
Uma reportagem do programa da BBC TV Newsnight mostrou peritos israelitas no norte do Iraque instruindo milícias curdas em técnicas de tiro. Representantes curdos recusaram-se a comentar a reportagem e Israel negou conhecer qualquer envolvimento. A revelação causa enormes problemas aos curdos, não apenas no Iraque mas também em toda a região. Israel é visto como um inimigo dos árabes e dos muçulmanos, tanto no Iraque como nos restantes países árabes e muçulmanos.
 
“Contra a lei israelita”
 
É provável que os políticos curdos sofram pressões para explicarem o que tem andado a fazer o seu governo semi-autónomo. Os peritos israelitas em segurança que falaram à BBC dizem que não poderiam ter trabalhado dentro do Curdistão sem conhecimento das autoridades curdas. A notícia, muito provavelmente, aumentará a tensão entre os curdos e a população árabe do Iraque, tanto sunita como chiíta, agravando os receios de que os curdos têm em andamento propósitos secessionistas. Isto representaria um sério abalo nos esforços de reconciliação nacional numa altura em que centenas de iraquianos são mortos todos os meses em resultado de violência intracomunal.
 
Também os vizinhos do Iraque se sentem ultrajados
 
O Irão e a Síria, que desde há muito acusam os curdos de permitirem que os israelitas operem no território iraquiano, exigirão provavelmente uma explicação ao governo de Bagdad. O governo israelita diz que está a proceder a uma investigação acerca da reportagem da BBC porque é contra a lei israelita exportar “know-how” militar sem autorização.
 
 “Prova de conspiração”
 
A reportagem da BBC pode representar a prova factual que os órgãos de comunicação árabes procuram há anos. Desde que a invasão do Iraque conduzida pelos EUA começou, há três anos, os jornalistas árabes têm falado de intervenção militar dos israelitas na região autónoma do Curdistão. Dizem que isto prova que o derrube de Saddam Hussein foi apenas o primeiro capítulo de uma mais vasta conspiração norteamericano-israelita para eliminar ameaças aos seus interesses estratégicos e redesenhar o mapa do Médio Oriente. A Síria e o Irão, que têm fronteiras com as zonas do Curdistão, são tidos como os primeiros alvos.
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