Na foto: O perito em armamentos David Kelly: “assassinado”.
O deputado liberal-democrata, que abdicou do seu lugar de primeira linha no Parlamento para levar a cabo a sua investigação de uma ano, faz estas declarações num livro, publicado por capítulos em exclusivo no Daily Mail, hoje e na próxima semana.
O inquérito oficial Hutton sobre a morte do Dr. Kelly, em 2004, estabeleceu que cortara um pulso com uma navalha de jardinagem e tomara doses excessivas de medicamentos após ter sido publicitado como sendo a toupeira que revelara as falhas da argumentação em defesa da invasão do Iraque.
Mas Norman Baker está convencido de que o cientista foi assassinado.
Conta que um informador secreto lhe disse que a polícia britânica soube da conjura mas não agiu a tempo e que, posteriormente, alguém tratou de apresentar a morte como um suicídio, para evitar graves perturbações políticas e diplomáticas.
A pesquisa deste respeitado parlamentar para denunciar a verdade acerca da morte do Dr. Kelly foi motivada por dúvidas graves que lhe surgiram acerca das circunstâncias que rodearam o aparente suicídio.
Ele e um grupo de médicos eminentes ficaram muito perturbados com as provas apresentadas por Lord Hutton.
Declararam que as provas médicas atestam que o alegado método de suicídio – um corte da artéria ulnar no pulso e uma “overdose” de analgésicos de co-proxamol – não pode ter causado a morte do cientista.
Baker afirmou: “Quanto mais o estudava [o veredicto de Lord Hutton], mais se me tornava evidente que as conclusões de Hutton eram erradas e suspeitas, praticamente sob todos os ângulos importantes”.
As conclusões a que chegou são hoje reveladas no primeiro extracto do seu livro
A Estranha Morte de David Kelly. Nele, afirma:
• Não foram encontradas impressões digitais na navalha de jardinagem alegadamente utilizada pelo cientista para cortar um dos seus pulsos;
• Em todas as ilhas britânicas, só uma vez aconteceu alguém suicidar-se como alegadamente o teria feito o cientista em 2003;
• Verificou-se uma incrível ausência de sangue no local, apesar de a morte ser oficialmente atribuída ao corte de uma artéria;
• A quantidade de analgésicos encontrados no estômago do Dr. Kelly corresponde a “menos de um terço” de uma dose excessiva fatal.
O deputado de Lewes também sugere que a navalha e as embalagens de analgésicos encontrados junto do corpo do Dr. Kelly haviam sido recolhidos na sua casa de Southmoor, Oxfordshire, durante uma busca policial após a sua morte e posteriormente colocados no local.
Conta, no seu livro, como foi contactado por “informadores” durante a sua “jornada para o desconhecido”.
Um deles ter-lhe-á dito que a morte do Dr. Kelly terá sido “uma operação grosseira, um modo grosseiro de se desfazerem dele”.
Baker explica: “No essencial, tudo aponta para um assassinato, talvez preparado à pressa”.
Um outro contacto secreto disse-lhe que um grupo de iraquianos residentes do Reino Unido tinha “revelado nomes de pessoas que diziam ter participado na morte do Dr. Kelly”.
O informador foi, posteriormente, vítima de “uma agressão brutal por um atacante desconhecido”.
O deputado, que insistiu em que a polícia reabrisse o caso, alega que o cientista tinha “inimigos poderosos” devido ao seu trabalho sobre armas biológicas. Um colega do Dr. Kelly, Dick Spertzel, o mais importante inspector estadunidense de armas biológicas, confirmou a Baker que o cientista estava “numa lista negra dos iraquianos”.
Baker alega que certos opositores de Saddam temiam que o Dr. Kelly os “desacreditasse” revelando “informações falsas” que tinham deliberadamente fornecido para dar mais força aos argumentos britânicos e estadunidenses para interviram no Iraque.
O deputado declara que a integridade moral do Dr. Kelly pode ter sido “a sua sentença de morte”.
O livro também alega que a polícia britânica “tinha tido ecos de um possível plano para assassinar o Dr. Kelly mas já chegou tarde para impedir o cometmento do assassinato”.
O deputado sugere que a polícia pode ter tentado maquilhar o assassinato como suicídio “no interesse da Rainha e do país” e para evitar qualquer desestabilização das delicadas relações entre os aliados e o Iraque.
E Baker acrescenta: “É muito fácil atirar tudo para o saco das teorias da conspiração. Mas a história mostra-nos que as conspirações acontecem – e que um suicídio pode ser encenado para esconder as pistas dos assassinos”.
“Todos os indícios me levam a crer que foi isso que aconteceu no caso do Dr. Kelly”.
Artigo original (em inglês) aqui
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