A caravana Viva Palestina seguiu lentamente [na terça-feira, 10 de Março] pela estrada Salah Eddine em direcção à cidade de Gaza absorvendo a atmosfera envolvente e saboreando o momento de história que acabava de ser criado.
Ao longo do caminho, milhares de palestinianos aproximavam-se dos carros beijando, tocando, abraçando os britânicos. Levantavam os bebés e os filhos pequenos para que os membros da caravana os beijassem, como se os anjos tivessem descido à cidade. Envolvidos em flores, as lágrimas caíam de ambos os lados.
Mais adiante, viam-se pessoas a sair das tendas e das ruínas das suas casas e a correr para nós esfregando os olhos, mal acreditando que o cerco tinha sido rompido e que já não estavam sós.
Na cidade de Gaza, esta noite houve júbilo e festa em que os hóspedes de honra não quiseram ser considerados hóspedes – mas sim parte da crescente família da Gaza. As autoridades de Gaza organizaram um comício em homenagem a Viva Palestina e um programa de actividades que inclui uma volta pelas áreas destruídas incluindo escolas, hospitais e outros equipamentos.
Alguns dos apoiantes de Viva Palestina que conseguiram fazer a travessia a pé, depois de uma espera de dez horas na fronteira, ficam em Rafah esta noite como hóspedes das autoridades governativas da Gaza. Infelizmente, alguns outros membros ainda aguardam autorização para atravessar a fronteira. Esperam que os egípcios os deixem juntar-se aos seus companheiros amanhã.
Um dia pleno de acontecimentos, com uma catadupa de emoções, caminha para o fim. Amanhã, Viva Palestina dará a volta a Gaza para ver, em primeira mão, a situação em que está o milhão e meio de pessoas que vive na maior concentração populacional do globo por quilómetro quadrado.
Daremos conta da escala da calamidade naquele que é de facto o maior campo de concentração do mundo, em que as pessoas suportaram um cerco interminável e do qual não puderam fugir quando os F16 decidiram jogar o seu jogo mortal com os filhos de Gaza.
Farid Arada