TribunalIraque.info
© 2013 TribunalIraque.info. Todos os direitos reservados.
Pedido de informações | Webmaster
Notícias
Blair assinou com sangue no rancho de Bush, no Texas, o apoio à guerra do Iraque, diz ex-embaixador
17 de Dezembro de 2009
Nico Hines
Fonte: uruknet | Tradução de Guadalupe Magalhães

Sir John Sawers, responsável do MI6, declarou na comissão de inquérito que Tony Blair discutiu dois anos antes do início da guerra sobre a maneira de derrubar Saddam Hussein. Christopher Meyer, que foi embaixador britânico nos EUA de 1997 a 2003, diz que a data para o início da guerra do Iraque foi decidida com Blair muito tempo antes. À parte a sua opinião sobre Margaret Tatcher, vale a pena ler as suas declarações sobre o assunto. (TMI)

Sir Christopher Meyer afirmou que o encontro de Tony Blair com o presidente Bush no seu rancho no Texas, terá sido o momento de viragem em que o primeiro ministro assinou com sangue o seu apoio à guerra do Iraque.
Sir Christopher Meyer, o embaixador britânico de então nos EUA, disse no inquérito sobre o Iraque que Blair teria tido mais influência se ele, na reunião no rancho Crawford, tivesse proposto prèviamente algumas condições relativamente ao apoio a conceder - que foi seis meses antes de Hans Blix começar a procurar armas no Iraque.

´Eu penso que terá mudado a natureza do plano americano´ disse ele. ´Nesse tempo chegar até ao final do ano era muito tarde... Eu disse a Londres que estavamos a aceitar algo muito importante como verdadeiro, sem qualquer exame prévio´.

Sir Chistopher ainda acrescenta que não sabe exacatamenteque grau e convergência teráhavido, mas eles não estavam ali para falar acerca de contensão ou reforçar de sanções.

O ponto alto da influência de Blair em Washigton não teve grande importância no contexto de então e, na sua opinião, um primeiro ministro mais forte, como Margaret Thatcher, podia ter feito mais, disse durante o inquérito.

Sir Christpher, que foi embaixador em Washington entre 1997 e 2003, disse que frequentemente pensa: ´o que teria feito Margaret Thatcher? Eu penso que ela teria insistido numa estratégia política e numa diplomacia coerente.´

 Ele negou, embora a política britânica estrangeira fosse ditada por Washington, não diria que tenha sido tão extrema e cínica como isso. ´Penso que não é um comentário correcto.´
Sir Chistopher disse a sir John Chilcot e aos cinco membros do painel, que o ponto fulcral da influência da Grã-Bretanha na administração Bush, ´foi encorajar o presidente Bush a publicar um roteiro no Médio Oriente mas que isso não teve grande significado, sejamos francos´.

Ele afirmou ainda que depois do ataque de 11 de Setembro o ambiente mudou em Washington. Condolezza Rice foi a primeira pessoa a quem ele ouviu mencionar o Iraque em 11 de Setembro. Ele disse que ´no fim de semana seguinte isso se transformou num grande debate, em Camp David, e tornou-se numa espécie de ping-pong.´

Nos dois meses seguintes, disse sir Chistopher, a administração Bush tinha decidido sobre um novo plano para o Iraque. ´O que era inevitável, depois de 11/09, era de que os americanos iriam meter-se num caminho estreito sem retorno possível e apostar na mudança do regime.´

Ele disse que até ao momento havia uma falta de um ímpeto real em relação ao Iraque, e acrescentou que eramais ´uma espécie de descontentamento geral.´

O único problema de maiorpara os EUA era o que poderia acontecer se um avião americano fosse abatido em zonas do espaço aéreo do Iraque. Ele sintetisou o seu ponto de vista do seguinte modo: ´se eles abatessem um dos nossos aviões nós retaliaríamos por tê-lo feito´

Depois do 11 de Setembro, Bush ficou convencido que seria necessária uma acção mais directa: ´com este espírito, ele queria ir lá e dar cabo do Saddam.´ 

´Nós observávamos este assunto como falcões´, disse ele. ´Quanto ao ministério dos negócios estrangeiros, não penso que eles possam alegar que não sabiam o que se estava a passar´. Ele disse que a única discussãoeradefinir o caminho para a guerra, com os britânicos a empurrar para uma posição multilateral, liderada pelas Nações Unidas. ´Não teve que se discutir com o departamento de estado mas seguramente com Cheney e Rumsfeld e em menor extenção com C. Rice.´

Uma vez que os EUA tinham esperado pela resolução n.º 1441 das NU sobre as armas do Iraque e tinham enviado Hans Blix para inspeccionar, não havia tempo para que houvesse provas antes da data já prevista para começar a invasão.

´O problema real, para o qual já chamei várias vezes a atenção de Londres, era que a data decidida para o contingente militar invadir o Iraque tinha sido decidida antes de os inspectores terem ido ao Iraque sob a orientação de Hans Blix. Então,no Outono de 2002, as coisas complicaram-se de tal modo em termos de agenda que não foi possível sincronizar o tempo militar com o dos inspectores.´

´Achámo-nos a escavar à volta, à procura de armas de destruição massiça e nós, americanos e britânicos, nunca recuperaremos disso porque sem dúvida que não havia tais armas.´

 
Os artigos assinados são da responsabilidade dos seus autores; as opiniões neles expressas não coincidem forçosamente com as do TMI-AP.