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Sabotagem corta oleoduto Iraquiano
10 de Janeiro de 2010
Aljazeera.net
Fonte: uruknet | Tradução de Francisca Macias

As exportações de petróleo do norte do Iraque pararam na sequência dum ataque a um oleoduto que faz a ligação ao porto turco de Ceyhan.

Assem Jihad, um porta-voz do ministério Iraquiano do petróleo, disse aos jornalistas que, em Dezembro, uma secção de 55 km do oleoduto foi danificada, provocando um grande derrame de petróleo, a cerca de 325 km a norte de Bagdade.
“As exportações pararam e os técnicos da Northern Oil Co. foram ao local para fazerem o levantamento dos prejuízos” disse Jihad.
“Vamos pedir à força multinacional que organize mais patrulhas para proteger o oleoduto, que foi sabotado pela quarta vez em seis semanas. Não sabemos quando serão retomadas as exportações, até termos averiguado os danos”.
O oleoduto normalmente transporta entre 420,000 a 450,000 barris por dia (b.p.d.), apesar de ter um potencial para transportar 600,000 bpd.O total de exportações do Iraque é de cerca de dois milhões de bpd de crude, e todas as suas exportações do norte são efectuadas através do oleoduto até Ceyhan.

Sabotagem e contratos

 

Depois de um período de 18 meses tranquilos, os oleodutos tornaram-se alvo de novo em 26 de Outubro e desde então tem havido inúmeros ataques.
O último destes ataques dá-se quando novos contratos de exploração de sete campos petrolíferos foram adjudicados a consórcios internacionais, no segundo leilão do Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.
Num total de 10 acordos de petróleo iraquiano foram adjudicados recentemente a companhias estrangeiras.
O ministério do petróleo disse que juntas, estas poderão permitir que a produção de petróleo iraquiano suba para 12 milhões de barris por dia, dos 2,5 milhões actuais, um nível que iria competir com o maior produtor de petróleo do mundo, Arábia Saudita.
Mas a legalidade dos negócios tem sido questionada.
O anterior ministro do petróleo do Iraque, Issam al-Chalabi, disse à Al Jazeera no domingo que os novos contratos nem sequer estão em conformidade com a lei vigente.
“A lei actual no Iraque obriga o governo a obter a aprovação do parlamento, mas o ministério do petróleo continua a propor contratos sem recorrer ao parlamento.
“No ano passado o Iraque arrecadou mais de US$ 80 biliões em rendas de petróleo, mas isso nem sequer levou ao abastecimento dos serviços mais elementares… serviços como água e electricidade”, disse Al-Chalabi.

O acordo do campo de Majnoon

No entanto, um grupo liderado pela (Royal Dutch) Shell, a maior companhia de petróleo da Europa, assinou no domingo um acordo inicial para desenvolver o gigantesco campo petrolífero de Majnoon.
A Shell, juntamente com a estatal Petronas da Malásia, ganhou num leilão de energia no início deste mês, os direitos do campo de Majnoon, o mais alto prémio de petróleo, perto do centro de petróleo de Baçorá no sul do Iraque. A Shell tem uma participação de 60% no consórcio, enquanto a Petronas detém 40%.
Mounir Bouaziz, um alto quadro da Shell e Abduul-Mahdy al-Ameedi, vice director do ministério do petróleo no gabinete do licenciamento, assinaram o acordo inicial na capital do Iraque, Bagdade. Deve agora ser enviado ao gabinete para aprovação.
Majnoon possui reservas de 12,6 biliões de barris, tornando-se num dos maiores campos petrolíferos inexplorados do mundo.
O grupo Shell propôs uma taxa remuneratória por barril de US$ 1,39, comprometendo-se a aumentar a produção para 1,8 milhões de bpd, a partir do nível de produção actual de 45,900 bpd.

Os artigos assinados são da responsabilidade dos seus autores; as opiniões neles expressas não coincidem forçosamente com as do TMI-AP.