No seu depoimento à Comissão de Inquérito sobre a guerra no Iraque, Clare Short disse que Blair lhe mentiu e levou ao engano todo o parlamento.
A antiga responsável pela pasta do desenvolvimento internacional rompeu com Tony Blair após a invasão do Iraque e nunca escondeu a sua oposição ao envolvimento britânico na guerra.
Na Comissão de Inquérito que investiga os acontecimentos que levaram à guerra sem uma resolução da ONU a dar luz verde à interevenção, Clare Short revelou uma conversa que teve com Blair em 2002, na qual o primeiro-ministro lhe garantiu não ter planos para intervir no Iraque. Para a ex-ministra, a informação hoje conhecida publicamente demonstra que Blair lhe estava a mentir já nessa altura.
Short diz que ficou ´pasmada´ com a leitura do parecer do procurador-geral Lord Goldsmith, apresentado no parlamento três dias antes da invasão do Iraque com o objectivo a autorizar a participação militar britânica. ´Penso que a vinda do procurador-geral para dizer aos deputados que havia uma inequívoca legalidade para irmos para a guerra foi enganadora´.
Clare Short denunciou também o facto de existirem pareceres legais dos juristas mais importantes do ministério dos Negócios Estrangeiros a defender uma segunda resolução da ONU. Esses pareceres não terão chegados ao conhecimento dos membros do governo, o que configura mais uma situação ilegal neste processo.
Ao contrário do seu colega de governo Robin Cook, que se demitiu na véspera da invasão do Iraque, Clare Short só abandonou o governo de Blair oito semanas após o início da guerra. Questionada na comissão pela razão de não se ter demitido logo, afirmou que ´se soubesse o que sei hoje, tê-lo-ia feito´ e que Tony Blair a convenceu a não sair no mesmo dia, assegurando-lhe desta vez que a ONU iria ter um papel de liderança na reconstrução do país e que Bush iria apoiar a criação de um Estado palestiniano independente.