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Iraque - eleições e ocupação
6 de Março de 2010

A lacuna informativa sobre o Iraque não significa que a situação tenha melhorado ou que o fim da ocupação esteja próximo. O povo iraquiano enfrenta um momento crucial para o seu futuro imediato. A 7 de Março de 2010 celebram-se novas eleições legislativas, cujo objectivo é dar por concluído o processo de consolidação do controlo interno do Iraque na prespectiva duma retirada completa dos EUA em 2011. Como em ocasiões anteriores, o campo anti-ocupação não participará nestas eleições, que considera ilegais, se bem que não interfira na participação popular nas mesmas.

Os ocupantes submeteram o Iraque à velha lógica colonial de fragmentação social. A ocupação, em vez de levar a democracia política ao Iraque, como proclamaram em 2003 os invasores, fortaleceu o poder formal de personagens e organizações sectárias, vinculadas com os próprios ocupantes ou com países da região, sem qualquer legitimidade e cujo jogo não é representar ou defender uma ou outra comunidade iraquiana, mas sim o de servir interesses externos que lucram impunemente. As eleições de 7 de Março agudizam esta dinâmica falida e em vez de permitirem a expressão democrática do povo iraquiano refletem o conflito pelo controlo do Iraque entre os EUA e o Irão.  Portanto, dentro do campo colaboracionista estão a desenvolver-se violentos confrontos. Segundo a opinião geral nas ruas do Iraque, os ataques maciços cometidos desde o verão passado em Baghdad e em outras cidades, são o resultado (por implicação directa ou por passividade dos serviços de segurança) duma luta implacável entre os grupos sectários, que resolvem as suas diferenças políticas à custa da vida de centenas de iraquianos inocentes.

De acordo com estimativas de prestigiadas instituições internacionais, a dominação do país já deve ter custado mais de um milhão de mortos. Segundo as Nações Unidas, em 2005 e 2006, os esquadrões da morte com ligações às novas autoridades iraquianas, e assim, directa ou indirectamente, com as forças de ocupação, assassinaram cerca de 100 iraquianos por dia. Oficialmente, os EUA ou as novas autoridades, mantêm detidos 40.000 iraquianos. O terror e a repressão são responsáveis pelo maior êxodo da história recente: segundo a ONU, desde o início da ocupação quase 5 milhões de iraquianos passaram a deslocados internos ou a refugiados no exterior. O Iraque é o país do mundo com maior número de pessoas que tiveram de abandonar as suas casas, um total de 16% da população, a mais alta percentagem do mundo. Para estes iraquianos o regresso às suas casas é inviável.

No interior do país, as eleições não geram qualquer esperança de melhoria da situação que não para de se deteriorar desde 2003. O Iraque, um dos países mais ricos do planeta, anteriormente com um bom nível de vida, tem hoje baixos indicadores na educação, saúde, abastecimento de água potável ou energia eléctrica, e também no que diz respeito aos direitos humanos e questões sociais. O Iraque é actualmente considerado o 4º país mais corrupto do mundo: ninguém sabe onde vai parar o produto da venda do petróleo, um sector estratégico que está graduamente a ser privatizado. E a classe política iraquiana, imposta pelos ocupantes, constitui uma nova oligarquia que legitima o roubo e o desmantelamento das instituições públicas com uma legislação repressiva, que anula o conceito de cidadania e submete a vida de homens e mulheres iraquianas à arbitrariedade e à insegurança.

CEOSI - Iraqsolidaridad

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